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Bolsonaro diz que pegou gravação em condomínio e nega obstrução de Justiça

Bolsonaro também não deixou claro em qual data pegou as gravações do condomínio - Guilherme Mazieiro/UOL
Bolsonaro também não deixou claro em qual data pegou as gravações do condomínio Imagem: Guilherme Mazieiro/UOL

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

02/11/2019 15h00

Resumo da notícia

  • Bolsonaro disse que pegou gravações do condomínio que contradizem o porteiro
  • Porteiro havia dito que Bolsonaro autorizou entrada de acusado de matar Marielle
  • MP ouviu gravações da portaria e disse que quem autorizou foi outro morador - Ronnie Lessa, também acusado
  • Peritos do Rio criticam laudo do MP e dizem que alguém pode ter adulterado equipamento de gravação
  • Oposição diz que Bolsonaro obstruiu Justiça ao obter áudio objeto de investigação
  • Presidente nega irregularidades

Após afirmar que teve acesso às gravações da portaria de seu condomínio Vivendas da Barra no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista ao site O Antagonista, que é "forçação de barra" interpretar isso como uma possível obstrução à Justiça.

"Não fizemos cópia de nada, não levamos a secretária eletrônica a lugar nenhum. Meu filho foi lá, botaram na tela 14 de março do ano passado e onde tinha ligação para as duas casas, para a minha e a dele, ele clicou em cima e gravou o áudio. Nada mais além disso. Qualquer outra interpretação é forçação de barra.", disse o presidente.

Mais cedo, a jornalistas, o presidente afirmara que "pegou" a gravação antes "de ela ser adulterada". "Pegamos lá toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de anos. A voz não é a minha, não é do 'seu Jair'. Agora, o que que eu desconfio? Que o porteiro leu sem assinar ou induziram ele a assinar aquilo. Agora quem está por trás disso? Governador, Wilson Witzel", declarou.

O presidente deu as declarações durante entrevista a jornalistas, quando foi retirar uma motocicleta que comprou, em Brasília. Ele não deixou claro por quem ou por qual motivo o conteúdo seria adulterado.

Bolsonaro também não deixou claro em qual data pegou as gravações do condomínio. Questionado pela reportagem sobre se teria ciência do acesso de Bolsonaro às gravações, o Ministério Público no Rio afirmou que não se pronuncia sobre casos que envolvem o presidente.

Na quarta-feira (30), o filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), mostrou gravações da portaria do condomínio e não havia registros de ligações do porteiro para seu pai.

Nesta semana, o Jornal Nacional apontou que o porteiro do condomínio de Bolsonaro, em depoimento, disse que um dos suspeitos de assassinar

Marielle, Élcio Queiroz, pediu autorização na casa de Jair Bolsonaro para entrar. Após a ligação, ele seguiu para casa do comparsa Ronnie Lessa. O Ministério Público desmentiu o depoimento do porteiro.

Reação

A fala do presidente reverberou em Brasília. O deputado federal David Miranda (PSOL) afirmou que o presidente cometeu crime de responsabilidade e que vai se reunir com lideranças da Câmara para levar adiante um pedido de impeachment do presidente.

"O presidente Jair Bolsonaro publicou nas suas redes sociais que ele obteve o material do condomínio que a gente viu essa semana, mostrando claramente uma obstrução de Justiça. Por quê? Por que o Jair Bolsonaro é citado dentro desse processo, esse processo foi até o STF [Supremo Tribunal Federal] para o presidente ser investigado", disse Miranda em um vídeo publicado na sua conta do Twitter.

O senador Randolfe Rodrigues (REDE - AP) também afirmou que vai entrar com uma representação por obstrução de justiça contra o presidente Jair Bolsonaro. A representação também é assinada pelo líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ). Eles devem protocolar o documento na segunda-feira (04).

Caso Marielle