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Bolsonaro rebate pedido do PT para que STF o investigue por obstrução

Presidente Jair Bolsonaro se defende durante live em suas redes sociais - Reprodução
Presidente Jair Bolsonaro se defende durante live em suas redes sociais Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo*

05/11/2019 07h51

O presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais hoje para rebater pedido do PT para que o STF (Supremo Tribunal Federal) o investigue pela prática de obstrução à Justiça ao acessar a memória da secretária eletrônica do condomínio Vivendas da Barra, onde morava no Rio de Janeiro.

No documento, o partido argumenta que o presidente "de modo autoritário e com uso da força (do seu cargo) se apropria se provas que podem, em tese, incriminar a si ou seus familiares" na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

"Esses petistas foram delatados na Lava-Jato com seus respectivos codinomes: Rato/Montanha, Vampirão e Amante. Agora entram na Justiça pelo fato de eu, como morador, ter acessado a secretária eletrônica do meu condomínio", disse o presidente. Ele se refere aos supostos apelidos do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), senador Humberto Costa (PT-PE) e deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) nas planilhas da Odebrecht. Eles negam irregularidades.

"Poderia consultar a qualquer época a secretária eletrônica, nada impede a qualquer morador tal procedimento, contudo só foi realizada tal consulta por mim depois de a TV Globo ter vazado um processo que estava em segredo de justiça", acrescentou o presidente.

A queixa-crime também pede que o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, e o ministro da Justiça, Sergio Moro, sejam investigados por suposta interferência no inquérito. Carlos também foi ao Twitter para falar sobre o assunto.

"Vampiro, Amante e Montanha, acusados de desvios de milhões de R$ na Lava-Jato, entraram na justiça contra mim, Moro e o Presidente no caso Marielle. Imagine o absurdo de busca e apreensão aqui em casa por acessar a secretária eletrônica onde todos os moradores têm acesso? Não pararei!", escreveu.

No sábado (2), Bolsonaro disse ter pegado os áudios para evitar que eles fossem adulterados. "Nós pegamos antes que fosse adulterado, pegamos lá toda a memória da secretária eletrônica, que é guardada há mais de ano. A voz não é minha", afirmou.

Ontem, diante da reação negativa da oposição que o acusa de obstruir as investigações, o presidente deu outra versão: "O que eu fiz foi filmar a secretária eletrônica com a respectiva voz de quem atendeu o telefone. Só isso, mais nada. Não peguei, não fiz backup, não fiz nada. E a memória da secretária eletrônica está com a Polícia Civil há muito tempo. Ninguém quer adulterar nada, não".

Os áudios filmados e postados por Carlos em redes sociais desmentem o porteiro do condomínio que, em depoimento, disse que Élcio Queiroz, acusado de ser um dos autores do assassinato de Marielle e Anderson, teria sido autorizado por "seu Jair" a entrar no condomínio depois de interfonar para a casa do presidente.

No áudio, quem autoriza a entrada de Élcio é Ronnie Lessa, outro acusado pelo assassinato de Marielle e Anderson, que mora no mesmo condomínio que Bolsonaro e Carlos, o Vivendas da Barra.

"Trata-se, à toda evidência, de uma clara tentativa de destruição e/ou manipulação de provas, visando afetar e mesmo frustrar a lisura das investigações policiais e ministeriais em curso e que, como dito, atingem direta ou indiretamente, o Presidente da República e, ao menos por enquanto, um de seus filhos (Carlos Bolsonaro)", diz a denúncia-crime apresentada pelo PT.

No documento, o partido pede a busca e apreensão de todo material em posse de Jair e Carlos Bolsonaro, que o Supremo faça o "acautelamento" (guarda) provisória das provas, determine a instauração de inquéritos para apurar possíveis crimes de obstrução à Justiça e improbidade administrativa.

* Com Estadão Conteúdo

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