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Atos em capitais defendem prisão após segunda instância e criticam STF

9.nov.2019 - Manifestantes fecham avenida Paulista, em São Paulo, em ato em defesa da prisão em segunda instância - Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo
9.nov.2019 - Manifestantes fecham avenida Paulista, em São Paulo, em ato em defesa da prisão em segunda instância Imagem: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

09/11/2019 18h08Atualizada em 09/11/2019 20h30

Resumo da notícia

  • Movimentos como Vem Pra Rua e MBL fizeram protestos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Recife
  • A prisão em segunda instância foi derrubada pelo STF, o que levou à libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
  • Grupos querem que Congresso aprove mudança na Constituição para permitir a prisão após a segunda instância
  • Nos discursos, manifestantes atacaram o STF e o ex-presidente Lula

Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL (Movimento Brasil Livre) fizeram hoje protestos em capitais do país pela defesa da prisão após condenação em segunda instância. Houve manifestações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba e Brasília.

A prisão em segunda instância foi derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última quinta-feira, o que levou à libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na operação Lava Jato. O STF decidiu que a prisão nessas condições é inconstitucional.

Os manifestantes pressionam para que o Congresso Nacional mude a Constituição e fixe na legislação a prisão em segunda instância.

Em São Paulo, os atos aconteceram na avenida Paulista. Um carro de som do Vem Pra Rua concentrou seguidores em frente à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Outro, do grupo Nas Ruas, reuniu manifestantes no Masp (Museu de Arte de São Paulo). Integrantes do MBL também protestaram na avenida. Nos discursos, houve ataques ao STF e a Lula.

Rio

No Rio, o Movimento Vem Pra Rua reuniu poucas pessoas na manhã de hoje, na praia de São Conrado, na zona sul, para protestar contra o Supremo. Os manifestantes se reuniram em torno de um pequeno carro de som e ocuparam menos de um quarteirão da praia, bem em frente ao prédio onde mora o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Muitos deles estavam vestidos de preto. A maioria, no entanto, manteve a tradição do movimento e se vestiu de verde e amarelo. "A decisão do STF foi um golpe, um ato político", discursou uma das organizadoras do evento, Adriana Balthazar, do Vem Pra Rua/RJ. "Estamos na rua para pedir o fim da impunidade."

"A gente acordou com uma sensação de ressaca, sabe, dor de cabeça, uma sensação muito ruim", afirmou o administrador Bruno Miller, de 54 anos, que participava da manifestação ao lado da mulher, a advogada Karen Cabral, de 42 anos. "A gente dá dez passos para frente e cinco para trás, mas o Brasil está mudando, vai mudar."

Nos cartazes dos manifestantes, as palavras de ordem eram "Prisão em segunda instância, sim, impunidade, não", "Lula, volta para a cadeia", "Meu partido é o Brasil" e "A nossa bandeira jamais será vermelha".

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, sem caminhões de som e com muito menos gente do que em protestos anteriores, geralmente realizados aos domingos, manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade, região centro-sul da capital mineira.

O aposentado Geraldo Teixeira, 76 anos, mostrava um cartaz com a frase "STF, câncer do Brasil". "Muitas pessoas estão indignadas, mas não mostram que estão indignadas", disse. Para o administrador de empresas e contador Daniel Maciel, 37 anos, a decisão do Supremo deixa sensação de impunidade. "A prisão tem que ser mais rápida. É assim em outros países. Por que temos que retroceder?", questionou.

O coordenador do Vem pra Rua em Minas, Max Fernandes, classificou a decisão do STF de "grave retrocesso". "Foi um duríssimo golpe no peito dos brasileiros. Para nós, o fim da prisão após segunda instância é um grave retrocesso. Ficará para nós a perda de credibilidade e a sensação de impunidade, principalmente de réus ricos e poderosos".

Para o representante do Vem pra Rua, cabe agora aos parlamentares em Brasília "corrigir" o posicionamento do STF. "O Congresso tem o dever moral de aprovar rapidamente uma lei, ou Projeto de Emenda Constitucional [PEC], que corrija imediatamente a decisão do STF. Hoje o Brasil estará nas ruas para pressioná-los. Não há tempo para o 'mimimi'. Temos de agir e fazer ouvir o desejo do cidadão de bem, que repudia o crime e quer ver o Brasil crescer". Ao mesmo tempo, Fernandes frisou que o movimento é contra intervenções ou "golpe no STF". "Defendemos o Estado Democrático de Direito", afirmou.

Recife

No Recife, o Vem Pra Rua realizou mobilização na avenida Boa Viagem, na zona sul. Manifestantes ocuparam uma quadra da via.

Essa foi a primeira participação da cobradora de ônibus Isabela Regina, 34, em um movimento pró-Bolsonaro. "Estou aqui pela PEC 410 e apoiando o pacote anticrime do [ministro da Justiça, Sergio] Moro. Viemos hoje não pelo presidente, mas pela nação, para acabar com essa safadeza do STF, de ter soltado os bandidos", disse. A PEC 410, que deve ser votada em comissão na Câmara dos Deputados na próxima semana, permite prisão depois de condenação em segunda instância.

A cobradora, que apoia o Vem Pra Rua pelas redes sociais, acredita que o movimento é sensato e importante para o país. "É uma necessidade para todos nós, brasileiros. Temos que lutar contra essa impunidade na soltura de bandidos".

A psicóloga Sheyla Paes, de 40, afirmou que começou a frequentar protestos em Boa Viagem pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e que se revoltou com a decisão do Supremo. "Eu apoio o evento, apoio Bolsonaro, a PEC e a intervenção militar, porque chegou numa situação em que é tudo ou nada, não tem meio-termo", disse.

* Com informações do Estadão Conteúdo

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