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Moro, sobre discurso de Lula: "Perseguição política é um álibi construído"

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, falou sobre soltura do ex-presidente Lula - Leco Viana/Estadão Conteúdo
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, falou sobre soltura do ex-presidente Lula Imagem: Leco Viana/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

12/11/2019 20h11

Resumo da notícia

  • O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que as críticas do ex-presidente Lula (PT) à Lava Jato não enfraquecem a operação
  • "Essa questão da perseguição política é absolutamente um álibi que foi construído, que não tem nenhuma procedência no mundo real", disse
  • Moro, que foi o responsável por condenar o ex-presidente em 1ª instância quando era juiz federal, falou se ficou frustrado por Lula ter sido solto
  • "Eu nunca levo essas questões do ponto de vista pessoal. Sempre foi imparcial, objetivo, sem sentimento pessoal", afirmou

O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que as críticas do ex-presidente Lula (PT) à Lava Jato não enfraquecem a operação. De acordo com ele, a "questão da perseguição política é absolutamente um álibi que foi construído".

"É o mesmo discurso que ele (Lula) já falava antes (de ser solto). E as pessoas avaliam os fatos, têm condições de avaliar os fatos que aconteceram. Essa questão da perseguição política é absolutamente um álibi que foi construído, que não tem nenhuma procedência no mundo real", disse em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.

Questionado se ficou frustrado por Lula ter sido solto, Moro, que foi o responsável por condenar o ex-presidente em primeira instância quando era juiz federal, afirmou que não tem sentimento pessoal envolvido.

"Eu nunca levo essas questões do ponto de vista pessoal. Quando eu proferi as decisões contra o presidente Lula, assim como qualquer outro réu, durante toda a minha carreira judiciária, isso sempre foi algo imparcial, objetivo, não tem um sentimento pessoal. Na verdade, quando o juiz condena alguém à prisão, o sentimento normalmente é de pesar. Puxa, mandar alguém para a prisão sempre é algo negativo, é fazer o mal para uma pessoa. Mas isso é uma consequência de um crime que a pessoa cometeu. E juiz tem que cumprir o dever legal. Não pode pensar só no acusado; tem que pensar também nas vítimas. É um sistema que precisa, acima de tudo, afirmar o império da lei", declarou.

Na última sexta-feira, Lula deixou a Superintendência da PF (Polícia Federal) no Paraná, onde estava preso há 580 dias, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que, por 6 votos a 5, mudou sua interpretação e passou a considerar inconstitucional a execução da pena antes que todos os recursos do réu sejam julgados.

Desde então, o ex-presidente e o ex-juiz trocaram farpas. Lula chamou Moro de "canalha", que rebateu: "não respondo a criminosos, presos ou soltos".

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