Topo

Moro diz que Bolsonaro é "muito íntegro" e atuais lideranças dão exemplo

O ministro da Justiça, Sérgio Moro - Leco Viana/Estadão Conteúdo
O ministro da Justiça, Sérgio Moro Imagem: Leco Viana/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

03/12/2019 13h25

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é uma pessoa "muito íntegra" e todo mundo que o conhece atesta isso.

"O presidente Bolsonaro é uma pessoa muito íntegra. Todo mundo que o conhece atesta isso. [...] Claro que a gente sabe que numa máquina gigantesca da administração federal podem surgir casos de desvios de conduta, de corrupção, mas, assim, vamos fazer um paralelo com o que acontecia no passado, em que tínhamos esquemas sistemáticos de suborno e de corrupção incrustados na administração pública", falou.

"Algo mudou nesse governo federal. Acho que as lideranças estão dando um bom exemplo", complementou ele.

As declarações foram dadas em evento sobre combate à corrupção promovido pela CGU (Controladoria-Geral da União), em Brasília.

Como exemplo de integridade, Moro também citou o ex-ministro da Cultura e hoje deputado federal, Marcelo Calero (Cidadania), ao renunciar por não concordar com pressão do então ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer (MDB), Geddel Vieira Lima (MDB), para liberar obra em Salvador onde havia comprado apartamento de luxo.

Geddel está preso desde 2017 em Brasília após malas com R$ 51 milhões em espécie terem sido encontrados pela Polícia Federal em apartamento atribuído a ele em Salvador. De acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), o montante tem origem ilícita de propina e desvios. Geddel também virou réu na Justiça pelo pressão feita a Calero.

Segundo Sergio Moro, o Brasil tem uma herança cultural de problemas com regras estabelecidas. No entanto, afirmou que não se pode pensar somente em punição, mas em incentivos para se fazer a coisa certa. Ele explicou uma campanha interna da pasta da Justiça e defendeu que o serviço público seja mais guiado pela meritocracia.

Em fala, Moro também disse não ver problema em se criar o Ministério da Segurança Pública, mas não no último ano da gestão de Temer, como foi aventado, ou no momento separando secretarias que têm trabalhado articuladamente entre si, como a que combate o tráfico de drogas.

"O ministério é mais forte reunido com mais possibilidade de reunir políticas públicas", disse, ao defender que o movimento separatista está "um pouco superado".

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, também elogiou ações do governo de combate à corrupção e o mercado "começa a perceber novos ventos". Segundo Freitas, a relação da pasta com a iniciativa privada hoje "se dá em outro patamar", estritamente técnico.

Ele ainda citou medidas internas de combate a irregularidades, incluindo delegados da Polícia Federal emprestados em tempo integral, o que classificou como "instrumento de dissuasão" de malfeitos.

Política