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Felicidade é 'não ter corrupção'; economia é foco para 2020, diz Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em café da manhã com jornalistas - Luciana Amaral/UOL
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em café da manhã com jornalistas Imagem: Luciana Amaral/UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

21/12/2019 14h02

Em conversa com jornalistas na beira da piscina do Palácio da Alvorada, hoje pela manhã, em que fez um balanço do primeiro ano de mandato, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que felicidade é "não ter aparecido nada sobre corrupção" no período. Ele também elegeu a economia como a prioridade do governo para 2020.

Na véspera, Bolsonaro atacou jornalistas e disse que um repórter tem "cara de homossexual terrível" quando questionado sobre investigação que apura a conduta do filho e senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em suposto esquema de corrupção no Rio de Janeiro. Hoje, considerou ter errado ao dar a declaração.

"É lógico que a gente reflete. Eu me controlo quando eu passo para conversar com vocês. Eu sei que vocês provocam para ter manchete. [...] Para quem que eu falei que era terrivelmente homossexual? Não está aqui hoje? Manda um beijo para ele. É igual futebol: ali na frente, de vez em quando, você mande seu colega para a ponta da praia. Depois vai tomar uma tubaína com ele", declarou.

Indagado sobre com o que ficou mais feliz em 2019, disse ser "difícil" um dia em que fica feliz, porque são muitos problemas para cuidar. No entanto, citou ter ficado satisfeito com a diminuição de casos de corrupção em seu governo, em sua avaliação.

"Felicidade é não ter aparecido nada sobre corrupção. Pode acontecer? Pode acontecer. A gente não sabe, né? Mas não apareceu nada. Tem uma certa vigilância nossa no tocante a isso, quase uma obsessão", falou.

Paulo Guedes

Bolsonaro afirmou haver uma "pressão enorme" por cargos públicos por parte de políticos. Alguns são atendidos quando há qualificação técnica, explicou.

Na conversa, elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e afirmou que este é o seu patrão no assunto. "Eu que tenho que me alinhar a ele, não ele a mim. Pelo contrário. Ele que é meu patrão nesta questão, não eu o patrão dele", declarou.

Após Guedes aventar um imposto sobre transações digitais, Bolsonaro descartou a criação de novos impostos. Segundo ele, o que pode acontecer é a substituição de algum tributo com novo nome. Como neste ano, a economia continuará a ser o "carro-chefe".

Como exemplo, citou a possibilidade de lançar o plano 'Minha Primeira Empresa' para estimular o empreendedorismo. "Você quer criar uma empresa, vai criar. O salário está baixo, você paga R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 30 mil para quem for trabalhar na tua empresa, esta que é a ideia", falou.

IR e reformas

Bolsonaro afirmou estudar isentar de pagamento do Imposto de Renda quem recebe até R$ 3 mil mensais — hoje o limite é de R$ 1.903,98. A questão depende de Guedes e da Receita Federal e teria de ser anunciada neste ano para entrar em vigor em 2020, informou.

Em relação à reforma tributária, Bolsonaro considerou apoiar que as sugestões sejam apresentadas em forma de emendas às duas propostas já avançadas no Congresso Nacional. Para ele, a reforma — que prefere caracterizar como simplificação — não deverá sofrer dificuldades para ser aprovada, pois é "interesse da sociedade como era a Previdência".

Confira outros tópicos da entrevista:

Melhores ministros

"O Tarcísio [ministro da Infraestrutura, se destacou]. Não vou citar nomes, mas foram sondados dois [antes dele para serem ministro]. O terceiro nome foi o Tarcísio. Graças a Deus, sem demérito aos primeiros. [...] Tarcísio foi um excelente nome. Com todos os problemas, o Marcelo Antônio [ministro do Turismo] foi muito bem. Os problemas dele foram no ano passado. [...] A Tereza Cristina [da Agricultura], sem comentários. Nossa economia em grande parte ainda depende do trabalho dela. O Moro [da Justiça] também. O Moro não vai ficando político, mas vai entendendo aqui o parlamento. Pode pegar o Canuto [Desenvolvimento Regional], ministro muito procurado por parlamentares."

Abraham Weintraub

"Melhorou demais [o Ministério da Educação sob a condução de Weintraub]. Falta dar uma calibrada. Ainda está dando uma de Jair Bolsonaro quando deputado em alguns momentos. Já falei para ele dar uma segurada aí. Faz o que tem que fazer, não faz o que eu fiz no passado. [Estou falando da] maneira de ele falar, de dançar na chuva com o guarda-chuva."

Relacionamento com Congresso

"Toda honra e toda glória a Rodrigo Maia. Não faço questão de ser pai da criança [reforma da Previdência]. Um beijo para o Rodrigo Maia e para o Davi Alcolumbre. Viram como eu não sou gordofóbico? Eu estou muito bem com o Maia. Outro fofucho com quem estou me dando bem."

Filhos

"O Eduardo está na Câmara e o outro está no Senado. Eles me dão em tempo real a temperatura lá. 'Pai, vai ter dificuldade em aprovar esse negócio aqui'. São pessoas que me ajudam nesse sentido. Não tem influência ou indicação. Tanto é que já falei para ministros. Se tiver qualquer indicação de cargo de filho meu, corta. Não tem conversa. Não quero problemas."

Lula

"Não dei oportunidade, com qualquer ação minha de contestar muita coisa que ele falou por aí, de ele crescer. Não houve reverberação. Acho que, da minha parte, fiz a coisa certa, deixei ele falar. Não tem mais chance para o PT nas próximas eleições com o quadro pintado, tudo o que aconteceu no Brasil: estatais, fundos de pensão, BNDES. Não tem mais espaço para ele."

Aliança pelo Brasil

"Meu partido dificilmente vai ter condições de concorrer agora. A chance é 1%. Não tenho obsessão por formar o partido. Acho que Deus até me ajuda porque você sabe que eleições municipais não influenciam muito nas próximas. E às vezes você elege um cara numa capital aí, se o cara fizer besteira, você vai apanhar na campanha de 2022 todinha."

Eleições municipais de 2020

"Eu não tenho essa obsessão 'ah, a prefeitura de São Paulo é minha'. Não tenho essa obsessão não. Nenhuma. Zero. Hoje, se eu apoiasse alguém em São Paulo, Belo Horizonte, Rio, [teriam estes candidatos] muita chance de se eleger."

Datena

"Já conversei com o Datena. Sei que no passado ele tentou e, na última hora, desistiu, não interessam os motivos. Tenho conversado com ele e ele tem o interesse de disputar a prefeitura [de São Paulo] agora. Pedi para ele para conversar, um pouco mais demoradamente, como é a política de verdade. Já tive uma conversa neste sentido com ele. Muita gente se ilude, 'quero ser prefeito', quando vai ver, pelo amor de Deus. Aí você acaba com a vida pessoal, particular dele, acaba com tudo. Falei para ele: Datena, você tem que escolher um vice que segure a onda, que te ajude, um bom gestor. [...] Você tem que ter poder de veto a nomes da legenda para vereador. Não tem que botar 100 nomes. Que bote 30 nomes. Diferentemente do que eu fiz. O meu partido foi o que sobrou."

Mourão

"Começou meio tumultuada [a relação]. A vida dele militar não afeta...eu que tinha 28 anos de parlamentar tinha dificuldade com vocês [jornalistas], imagina ele. Mas, se arrumou. Muito bom meu relacionamento com ele. Cabeça invejável, inteligente, tem conhecimento de muita coisa. Muito mais inteligente do que eu. Sem problema."

Moro vice ou no STF

"É muito cedo para se falar nisso [em vice]. Se for indicar alguém para o STF, tem que ver a situação dele no Senado."

Donald Trump

"Ele disse que o Brasil vai ser um dos primeiros países após a reeleição dele a ser visitado. A maneira como ele me trata, apesar de eu ser uma pessoa tosca na política ainda, é excepcional. Porque o Brasil tem atrativos.

OCDE

"Maldosamente, falaram que apesar da minha dita amizade com o Trump a Argentina estava na frente na OCDE. Estava na frente antes de eu assumir. [...] Obviamente que o governo americano vai fazer uma avaliação com o novo quadro político. 2020 é muita sorte [de o Brasil já entrar]. Tem que cumprir série de pré-requisitos para chegar lá."

Israel

"Quero um embaixador [do Brasil no país] que interaja conosco. [...] Continua a proposta [de abrir embaixada do Brasil em Jerusalém]."

Ditadura

"O certo eram eles [da esquerda] que pegaram em armas, que sequestravam gente? [...] Houve tortura? Ninguém disse que nunca houve. Alguns fatos caíram no colo dos militares e eram tidos como verdadeiros. O que eles fizeram nunca apareceu, mas uma coisa é a história que tá aí. Não pretendo rememorar isso, reviver. Não [vejo só virtudes]. Teve coisa errada. Até em casa a gente erra. Pelo amor de Deus, pô."

Michelle Bolsonaro

"Quase nada ela fala de política. Isso é muito bom, porque para falar de política em casa é uma continuação do que acontece na Presidência, né? Fica chato. Algumas coisas ela fala aqui que têm a ver com a área dela. A questão das pessoas com deficiência etc. Agora, ela tem uma vida presa em casa. [Ela puxa a orelha] do ritmo de trabalho quando trago gente para conversar em casa sábado e domingo."

Palácio da Alvorada

"Não tem fantasma aqui não [como afirmou o ex-presidente Michel Temer]. Ninguém arrastando corrente. Todas as minhas sogras estão vivas também. [Tem cara de casa?] Prefiro minha casa na Barra da Tijuca."

Mega-Sena

"Sempre jogo e agora torço para não ganhar, senão o Pedro [Guimarães, presidente da Caixa] vai ter um problema sério. Vou jogar na Mega [da Virada], uns R$ 300 aí. Se pintar um bolão aqui, eu entro também."

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