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"Única coisa que entristeceu foi crítica de Olavo", diz Alvim após discurso

Roberto Alvim, secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro - Clara Angeleas/Divulgação/Secretaria Especial da Cultura
Roberto Alvim, secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro Imagem: Clara Angeleas/Divulgação/Secretaria Especial da Cultura

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

17/01/2020 11h23Atualizada em 22/01/2020 18h14

O secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, afirmou hoje que a "única coisa" que o "entristeceu" no episódio da menção a Joseph Goebbels foi a crítica do ideólogo de direita Olavo de Carvalho.

No Facebook, o guru intelectual do governo Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que é "cedo para julgar", mas que o chefe da pasta "talvez não esteja muito bem da cabeça". "Veremos", conclui Olavo.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta manhã, Alvim disse que é fã do ideólogo e o chamou de "mestre". Por esse motivo, segundo ele argumentou, a opinião de Olavo foi um duro golpe. "A frase que eu disse não tem nenhuma associação ao ideário nazista", declarou.

Inicialmente, o secretário evitou pedir desculpas pelo episódio.

"Não posso me desculpar por uma coisa que eu não fiz deliberadamente", disse. No entanto, depois que um dos âncoras da Rádio Gaúcha citou a indignação da comunidade judaica, Alvim afirmou: "Peço humildemente, de todo o coração, perdão se as pessoas se sentiram ofendidas por isso".

Na versão do chefe da pasta da Cultura, subordinada ao Ministério do Turismo, a culpa pelo que chamou de "infeliz coincidência retórica" e "casca de banana" pode ser sido de alguém da sua assessoria, depois de uma pesquisa no Google.

Ele afirmou ter redigido 90% do pronunciamento veiculado ontem, mas não se responsabilizou pelas frases copiadas de um dos textos do ministro da Alemanha nazista.

No vídeo, com o retrato de Bolsonaro ao fundo, Alvim imita a aparência e tom de voz de Goebbels. Outra referência ao nazismo é a música de fundo, da ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida.

O secretário do governo Bolsonaro revelou ainda que a pasta está "investigando justamente qual foi a origem disso tudo". Na versão dele, as frases que remetem a Goebbels teriam sido colocadas em sua mesa pelos assessores que se dedicaram à pesquisa.

A ideia original, segundo afirmou Alvim, era buscar no Google discursos sobre o tema "nacionalismo em arte".

O vídeo publicado ontem gerou uma onda de indignação nas redes sociais e também manifestações de repúdio de autoridades. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu no Twitter o afastamento imediato do secretário de Cultura.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), disse que seu partido pedirá o indiciamento de Alvim por apologia ao nazismo.

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