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Na Índia, Bolsonaro alfineta seguidores e se dispõe a pagar viagem do bolso

24.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro desembarcou em Nova Déli, na Índia, onde participa de reuniões para estreitar relações comerciais - Prakach Singh/AFP
24.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro desembarcou em Nova Déli, na Índia, onde participa de reuniões para estreitar relações comerciais Imagem: Prakach Singh/AFP

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

24/01/2020 09h49

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou à Índia na manhã de hoje (horário local) reclamando de críticas feitas pelos seus seguidores nas redes sociais e se dispondo a cobrir as despesas da viagem com recursos próprios — R$ 23 mil líquidos, segundo o mandatário.

"Grande parte da despesa dessa viagem é bancada pelo cartão corporativo. Se vocês quiserem que eu devolva o cartão, eu zero e pago a viagem com o meu salário", declarou ele em um vídeo feito durante o trajeto pelas ruas de Nova Déli.

"[São] R$ 23 mil líquidos por mês. Que eu não estou reclamando, não. Estão me sobrando R$ 23 mil por mês, dá para pagar essa viagem pelo Brasil, fora do Brasil, além da despesa lá no Alvorada e Granja do Torto."

Bolsonaro revelou que o governo "deve fechar 2019 com R$ 9 milhões de gastos com cartão corporativo".

Em outubro do ano passado, o presidente foi alvo de boatos nas redes sociais referentes às despesas com o cartão corporativo. Na ocasião, uma notícia falsa apontava que Bolsonaro havia "batido recorde" de gastos, consumindo "R$ 8,2 milhões" do dinheiro público. As postagens viralizaram no Twitter.

O UOL Confere publicou à época uma reportagem para esclarecer os fatos. Até então, de fevereiro a setembro de 2019, o governo havia desembolsado cerca de R$ 4,6 milhões com o cartão. O montante não era um "recorde", visto que, em 2014, sob gestão de Dilma Rousseff (PT), o Executivo havia gastado R$ 7,9 milhões. Os valores foram corrigidos pela inflação.

Os dados são da Secretaria de Administração da Presidência da República e estão disponíveis no Portal da Transparência.

'Comentários agressivos'

Enquanto circulava de carro pelas ruas da capital da Índia, Bolsonaro aproveitou para reclamar de uma parte de seus seguidores. Segundo ele, esses apoiadores estão deixando comentários agressivos em sua página no Facebook. Repetiu então uma estratégia que já havia sido utilizada, em tom de alerta: "O povo da Argentina tratou o (Mauricio) Macri de forma semelhante. Olha quem voltou para lá. A turma da (Cristina) Kirchner, da Dilma, do Lula, do Foro de São Paulo."

"É impressionante como as pessoas escrevem coisas da cabeça, assim, sem qualquer fonte e sem qualquer origem. E parte de forma agressiva nos comentários. Calma, pessoal."

Bolsonaro lembrou que seu mandato vai até o fim de 2022 e que, nesse período, só aceitará "críticas construtivas" quando entender que cometeu algum erro, de fato. "Não esperem que eu esteja 100% contigo. Nem em um casamento dá 100%. E, aqui, tem coisas que a gente destoa. Agora, não potencialize isso."

"Me critique quando realmente eu errar. Se eu errar, desce o cacete. Agora, enquanto está em fase de gestação, discussão, estudo... Calma, pessoal. Calma aí. Se não, não vai dar certo."

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