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Bolsonaro ataca Doria e ironiza Witzel: 'Alguém quer beber água do Rio?'

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

06/02/2020 11h30Atualizada em 06/02/2020 13h51

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou hoje a alfinetar os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio, Wilson Witzel (PSC), dois possíveis concorrentes à sucessão presidencial em 2022.

O chefe do Planalto afirmou que a dupla de ex-aliados, hoje adversários, o coloca como um "obstáculo" a ser superado. Ele diz se sentir "massacrado".

"Me elegeram como alvo. Tenho que derrotar esse cara. Se ele vier candidato, vai ele e o PT para o segundo turno... e aí estamos fora", comentou o presidente na saída do Palácio da Alvorada, nesta manhã.

Os governadores venceram a eleição em 2018 pegando carona na popularidade de Bolsonaro e surfando a onda do conservadorismo. O presidente lembrou hoje desse fato, atacou Doria e debochou de um dos slogans de campanha do tucano: "BolsoDoria".

O mandatário lembrou que, à época, o então candidato ao governo de SP viajou ao Rio, onde Bolsonaro morava até se eleger, para tentar um encontro entre os dois. Porém, deu de cara na porta. "Ele usou BolsoDoria o tempo todo. Estava pau a pau com o França [referindo-se ao candidato derrotado no segundo turno, Márcio França]. Foi útil até aquele momento."

Ao falar sobre Witzel, Bolsonaro ironizou citando a crise hídrica no Rio. "Pergunta para o Witzel como está a água do Rio de Janeiro... Alguém quer tomar um copo d'água do Rio? Agora colocaram detergente na água. Olha que coisa linda."

Apesar da provocação, o presidente disse que não daria "pancada" no desafeto e que cabe a Witzel resolver o problema. "Parece que tem uma CPI tomando forma lá na Assembleia Legislativa? A CPI não tem que ser para perseguir governador, tem que perseguir a verdade. O que aconteceu com a Cedae [companhia fluminense de abastecimento]? Houve loteamento? Houve negligenciamento?".

'Sou um cara pobre, miserável'

Bolsonaro se definiu como um "cara pobre" e "miserável" ao fazer comparação com a dupla de governadores —Witzel é ex-juiz federal e Doria é empresário com patrimônio estimado em R$ 189 milhões.

De acordo com a prestação de contas da última eleição, Bolsonaro passa longe de ser "pobre" e "miserável". Seus bens declarados à Justiça são avaliados em R$ 2,2 milhões.

"Eu sou um cara pobre, miserável, pô. Se bem que eu sou mais rico que 98% da população. Eu sei disso, mas perto desses caras eu sou pobre e parece que meu cheiro não faz bem para eles."

A tentativa de Bolsonaro de se diferenciar da imagem dos desafetos e mirar o arquétipo do homem simples, do povo, podee estar relacionada com a eleição presidencial em 2022. Os três devem concorrer nas urnas e, em tese, ocupam uma posição semelhante no espectro ideológico (à direita).

"Eu sei que eu sou um cara diferente de alguns políticos que temos no Brasil. (...) Minha plumagem é diferente da deles."

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