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Governador da BA cita "laços de amizade" da Presidência com miliciano morto

Alberto Coutinho - 12.mar.2018/Governo da Bahia
Imagem: Alberto Coutinho - 12.mar.2018/Governo da Bahia

Do UOL, em São Paulo

15/02/2020 19h01Atualizada em 17/02/2020 12h05

Resumo da notícia

  • Governador defendeu a PM da Bahia na ação que matou miliciano
  • Rui Costa indicou que morto tinha "laços de amizade com a Presidência"
  • Bolsonaro insinuou motivação política na morte do ex-capitão do Bope

O governador baiano, Rui Costa (PT), disse que "a Bahia luta contra e não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem" e disse haver "laços de amizade" entre a Presidência e o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Adriano da Nóbrega, considerado miliciano e morto em ação da Polícia Militar da Bahia.

O comentário foi uma reação à fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tentou ligar a morte ao governo estadual. "Quem é o responsável pela morte do capitão Adriano? PM da Bahia, do PT. Precisa falar mais alguma coisa?", disse Bolsonaro, mais cedo, no Rio. O ministro da Justiça, Sergio Moro, também chegou a ligar a morte do ex-capitão do Bope ao governo estadual da Bahia.

Adriano foi morto no último final de semana em Esplanada, cidade a cerca de 160 quilômetros de Salvador. Ele era acusado de comandar uma milícia no Rio. No passado, recebeu homenagens da família Bolsonaro.

Costa publicou uma mensagem hoje nas redes sociais em que rebate a fala do presidente. "Na Bahia, trabalhamos duro para prevalecer a lei e o Estado de Direito."

O governador diz que, na Bahia, "a determinação é cumprir ordem judicial e prender criminosos com vida". "Mas se estes atiram contra pais e mães de família que representam a sociedade, os mesmos têm o direito de salvar suas próprias vidas, mesmo que os marginais mantenham laços de amizade com a Presidência", escreveu.

Homenagem

O governador também comentou o fato de o presidente ter pedido para que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), homenageasse o miliciano na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em 2003. Nas redes sociais, Costa disse que "o governo do estado da Bahia não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça".

Em evento no Rio, Bolsonaro e Flávio negaram ter relações com milicianos. "Não existe ligação minha com milícia do Rio de Janeiro", disse o presidente.

"Eu é que pedi para o meu filho condecorar para que não haja dúvida. Ele era um herói [na época]. O meu filho, recém-eleito, eu que determinei, pode trazer para cima de mim isso aí. O meu filho condecorou centenas de policiais", disse o presidente.

Já Flávio falou que, "como deputado estadual, homenageei centenas e centenas de policiais militares que venciam a morte todos os dias...". "Não adianta querer me vincular à milícia porque não tenho absolutamente nada com a milícia."

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