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Bolsonaro ataca jornalista e alfineta Congresso: "Não consigo aprovar lá"

Do UOL, em São Paulo

27/02/2020 20h23Atualizada em 27/02/2020 23h14

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou duramente a jornalista Vera Magalhães durante transmissão ao vivo realizada na noite de hoje pelas redes sociais.

A jornalista foi a primeira a noticiar que Bolsonaro teria compartilhado vídeos no WhatsApp que convocam a população a participar de manifestações em favor do governo e contra o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal), marcadas para 15 de março. Ela, então, passou a ser hostilizada por bolsonaristas e teve até mesmo dados pessoais divulgados nas redes sociais.

Durante a live, Bolsonaro disse que Vera divulgou apenas prints da mensagem e que o vídeo, em questão, era de convocação para uma manifestação de 2015.

"É um vídeo que eu peço comparecimento do pessoal no dia 15 de março de 2015 que, coincidentemente, também cai no domingo. Então, em cima disso, você fez uma matéria que eu estaria disparando WhatsApp pedindo na manifestação, no dia 15 de março, agora", disse Bolsonaro.

Realmente, o dia 15 de março de 2015 ficou marcado por uma série de manifestações contra a corrupção. Porém, diferentemente do que diz o presidente, Vera Magalhães divulgou, sim, o vídeo de quase 1min29seg —e não só uma print— em seu perfil nas redes sociais e em sua coluna no BR Político, do jornal O Estado de S. Paulo. Nas imagens, Bolsonaro aparece já com a faixa presidencial e ao lado da primeira-dama, Michelle. A imagem em que Bolsonaro leva uma facada, durante ato de campanha em setembro de 2018, também aparece no vídeo.

Ainda durante transmissão, Bolsonaro usa termos como "eu não sou da sua laia" e "toma vergonha na cara" para se dirigir à jornalista.

O presidente ainda repetiu frase que havia proferido contra outra jornalista, Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, na semana passada, dizendo que Vera Magalhães "queria dar o furo, um furo de reportagem". À época das ironias contra Campos Mello, Bolsonaro foi criticado por órgãos e associações de imprensa, entidades de defesa do direito da mulher e por políticos.

O compartilhamento de vídeos pelo presidente da República contra o Congresso e o STF também foi criticado, inclusive pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e por ministros do Supremo, como Celso de Mello.

"Tenho vergonha na cara. Espero o mesmo do senhor"

Minutos depois, Vera Magalhães respondeu aos ataques de Jair Bolsonaro também através das redes sociais.

"O presidente Jair Bolsonaro me atacou na live semanal e, antes, na porta do Alvorada. 'Já que você é mulher, se eu falar qualquer coisa vão falar que eu estou agredindo as mulheres, tenha mais vergonha na cara'. Eu tenho vergonha na cara, presidente. E espero o mesmo do senhor", disse ela.

"Não consigo aprovar o que eu quero lá"

Apesar de dizer que compartilhou vídeos de 2015, Bolsonaro aproveitou a transmissão desta noite para alfinetar o Congresso Nacional.

"Alguns falam que eu não tenho articulação com o Congresso. Realmente eu não consigo aprovar o que eu quero lá. Até gostaria que fosse botada alguma coisa, muita coisa, mas [o projeto] não é botado em pauta. É a regra do jogo. E você tem que respeitar", disse ele.

"Gostaria de fazer muito mais pelo Brasil. Estou há seis meses com um projeto na Câmara. Não vou desistir, vou buscar fazer tudo o que eu prometi. O Parlamento nosso tem lá os seus problemas. Eu quero o Parlamento mais atuante. Pelo que eu estou sabendo, vai ser uma rede diferente da Globo. Torço para que isso seja verdade", prosseguiu, em tom de desabafo.

"Eu gostaria que a nossa Medida Provisória da carteira digital de estudante, por exemplo, não caducasse. Não foi colocado em pauta. Acabou o tempo, acabou. Quem quiser ter carteira de estudante, terá que pagar R$ 35. É dinheiro para a UNE. Nem é questão de tirar dinheiro da UNE. É para o estudante não ter que gastar", concluiu.

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