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De olho em evangélicos, Paes mira até irmão de Malafaia para vice

 Eduardo Paes durante debate, em 2018 - Jose Lucena/Folhapress
Eduardo Paes durante debate, em 2018 Imagem: Jose Lucena/Folhapress

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

09/03/2020 04h00

Apesar de negar publicamente sua pré-candidatura, Eduardo Paes (DEM) se articula para compor a chapa que deve concorrer em outubro à Prefeitura do Rio de Janeiro. Em conversa com interlocutores, o ex-prefeito admite o desejo de ter um vice evangélico. A estratégia mira atrair simpatizantes do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato à reeleição.

Entre os cotados para compor a chapa, está o deputado estadual do Rio Samuel Malafaia (DEM), irmão do pastor Silas Malafaia que lidera a Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Em dezembro, Paes e Samuel se encontraram e, entre outros assuntos, falaram sobre a eleição. Eles não chegaram, contudo, a selar a parceria.

Paes já sabe que dificilmente a escolha de Samuel significaria um apoio direto de Silas. Aliado também cobiçado por Crivella, o pastor não deve pedir votos para nenhum candidato no primeiro turno.

Neste cenário, ganha força o nome de outro integrante da ala evangélica do DEM na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro): o atual líder da bancada do partido, Fábio Silva. Ele é dono da Rádio Melodia e aliado do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos líderes da bancada evangélica da Câmara.

Paes tem dado sinais de aproximação com evangélicos até mesmo em suas redes sociais ao compartilhar trechos da Bíblia em legendas de fotos de sua visita a Israel em janeiro.

Entretanto, também há no partido a pressão por uma chapa que não seja puro sangue (formada somente por políticos do DEM). Nesse cenário, o ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro (PSC) é cotado por Paes.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), pretende lançar Rabello candidato à prefeitura pelo PSC. Por isso, caso queira concorrer ao lado de Paes, Rabello de Castro precisaria trocar de legenda e abrir mão do apoio de Witzel.

Ao UOL, Eduardo Paes disse simpatizar com os nomes citados, mas afirmou que não há conversas específicas sobre a composição de uma chapa. Sobre a eventual candidatura com um vice evangélico, o prefeito limitou-se a questionar: "Por que não?".

Vice evangélico seria bom e natural, diz aliado de Paes

Um dos principais aliados de Paes, o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) fala da candidatura do ex-prefeito como certa e deixa escapar a vontade de vê-lo acompanhado por um evangélico.

"O Eduardo [Paes] sempre foi um sujeito favorável à diversidade, seria tão bom quanto natural vê-lo ao lado de um vice evangélico. Ele sempre frequentou igrejas católicas, templos evangélicos, terreiros. O Rio é uma cidade sincrética, as possibilidades estão sendo estudadas", afirmou.

Pedro Paulo, que foi o candidato de Paes em 2016, minimizou a popularidade de Crivella junto ao voto evangélico. "Até os pastores têm temido a presença dele em atos", alfinetou.

Pesquisa Datafolha de dezembro mostra que 56% dos evangélicos avaliaram sua gestão como ruim ou péssima. Entre os neopentecostais (conjunto de igrejas que inclui a Universal), a avaliação negativa é de 49%.

Na simulação feita pelo Datafolha com o maior número de candidatos, Paes liderava no último mês de 2019 as intenções de votos com 22%, empatado tecnicamente com Marcelo Freixo (PSOL), com 18%. Crivella registrou 8% das intenções.

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