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Mourão lamenta morte de Bebianno; Bolsonaro permanece em silêncio

13/03/2020 - O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), é visto caminhando pelos corredores no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
13/03/2020 - O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), é visto caminhando pelos corredores no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

14/03/2020 13h39

O vice-presidente da República, general Antonio Hamilton Mourão (PRTB), lamentou hoje à tarde a morte do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

No Twitter, Mourão afirmou transmitiu os pêsames à família de Bebianno e disse que o ex-ministro esteve com a equipe que cerca o presidente "desde os primeiros momentos da campanha vitoriosa de Bolsonaro". Mourão também disse que a política pode ter lhe afastado de Bebianno, mas "não apaga jamais o bom combate que travamos juntos".

Até as 13h30, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não havia se pronunciado sobre a morte de seu ex-ministro. No Twitter, o perfil oficial de Bolsonaro já postou duas publicações, nenhuma sobre Bebianno. A primeira sobre supostos desvios de dinheiro no BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social). A segunda sobre viagem que faria essa semana a Mossoró, no Rio Grande do Norte, que foi adiada por recomendação médica por causa do coronavírus.

Pela manhã, Bolsonaro caminhou pelo Palácio da Alvorada, residência oficial onde mora em Brasília, usando a camiseta amarela da campanha presidencial com o escrito "Meu partido é o Brasil". O modelo se tornou famoso por ser a camiseta usada em Juiz de Fora, quando sofreu um atentado a faca.

Autoridades lamentam

Bebianno morreu hoje por volta das 5h após sofrer um infarto fulminante em seu sítio em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da família. O velório e o enterro deverão acontecer na cidade, mas ainda não têm data e horário marcados.

Até a última atualização desta reportagem, dentre os atuais ministros, somente o da Educação, Abraham Weintraub se manifestou pelas redes sociais. Ele escreveu que, neste momento, deixa "no passado divergências" e desejou que Bebianno esteja "em paz, em um lugar melhor".

Outros políticos, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também lamentaram a morte de Gustavo Bebianno. Maia, por exemplo, disse ter tido um relacionamento muito respeitoso com Bebianno e este "sempre se mostrou correto e equilibrado no trato dos assuntos".

Ele acrescentou que Bebianno "seria mais um bom quadro para a disputa na nossa cidade do Rio", pois o ex-ministro pretendia se candidatar à Prefeitura da capital fluminense neste ano.

De aliado a desafeto

Bebianno chegou a ser o braço direito e principal articulador da campanha de Bolsonaro. O advogado esteve dentro do centro cirúrgico quando o então candidato levou uma facada em Juiz de Fora (MG) durante a campanha eleitoral.

Após a eleição, Bebianno foi um dos primeiros ministros a ser anunciado — ele assumiu a Secretaria Geral da Presidência de República. No entanto, já no segundo mês do governo, a relação com Bolsonaro começou a ruir. A Folha de S.Paulo denunciou o repasse de R$ 400 mil do fundo partidário do PSL para suposta candidatura "laranja" nas eleições. Foi a primeira grande crise do atual governo.

Bebianno, num primeiro momento, foi apontado como o responsável pela liberação das verbas — algo que ele negou. Ele disse ter informado Bolsonaro sobre os casos já em 2018. No entanto, o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC), disse que a versão do então ministro era "mentira absoluta" e chegou a divulgar áudios com a voz do pai dizendo que não conversaria com ninguém.

A situação entre Bebianno e a família Bolsonaro ficou insustentável. Em 18 de fevereiro de 2019, ele foi exonerado do cargo.

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