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Mesmo sem aval de Bolsonaro, manifestantes programam atos em 229 cidades

Imagem com a hashtag #DesculpaJairMasEuVou, que circula no WhatsApp e nas redes sociais - Reprodução
Imagem com a hashtag #DesculpaJairMasEuVou, que circula no WhatsApp e nas redes sociais Imagem: Reprodução

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

15/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Após incentivar ato contra Congresso, presidente recuou em razão do agravamento da crise da doença
  • Mesmo de declaração do presidente, apoiadores prometem ir às ruas hoje
  • Mensagens que circulam em grupos de WhatsApp listam locais e horários de concentração

Mesmo após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recuar no apoio a protestos em razão do coronavírus, militantes governistas programam manifestações em ao menos 229 cidades neste domingo. Eles se organizam em grupos de WhatsApp com a hashtag #DesculpaJairMasEuVou. Os protestos são a favor do presidente e contra o Congresso Nacional e o Judiciário.

Desde sexta-feira (13), militantes discordam do presidente ou dão outras interpretações para o que ele afirmou em duas transmissões na TV e em redes sociais. Para eles, é preciso ir para as ruas do mesmo jeito.

Mensagens que circulam em grupos de WhatsApp listam locais e horários de concentração em 225 cidades brasileiras e em quatro no exterior. Elas estavam em vários chats, como os do Aliança Pelo Brasil, o partido que o presidente pretende criar, e daqueles que defendem até militares condenados pela Justiça por crimes na ditadura (1964-1985). Nas redes sociais, a ideia também é manter a manifestação.


Em pronunciamento em cadeia de rádio e TV na quinta-feira (12) e em transmissão ao vivo em redes sociais, Bolsonaro pediu que os protestos fossem adiados "para daqui a um ou dois meses", porque, afirmou ele, já "foi dado um tremendo recado para o Parlamento".

'Presidente se preocupou com bem-estar do povo', diz ativista

Muitos militantes não estão se importando com cancelamentos feitos por políticos aliados de Bolsonaro ou por organizações de direita.

A coordenadora do grupo Mulheres de Direita de Palmas (TO), Lucimar Godoy, 61, afirmou que espera reunir 15 mil pessoas na tarde de domingo (15) na Praça dos Girassóis, capital do estado. Para ela, Bolsonaro expressou sua preocupação como presidente ao não avalizar protestos sob risco de contágio de coronavírus.

"Já temos 229 cidades confirmadas" - Reprodução
"Já temos 229 cidades confirmadas"
Imagem: Reprodução

"O presidente deixou claro a preocupação com o bem-estar do povo brasileiro como estadista, entretanto a vontade do povo e o direito à manifestação está respaldado na constituição", disse ela ao UOL. "Que o Congresso Nacional não queira golpear o povo brasileiro mudando o sistema de governo, de presidencialista para 'parlamentarismo branco'. Nós queremos o poder do presidente respeitado."

Em Brasília, o aposentado e auditor fiscal da Receita do Distrito Federal Jomar Gaspary disse estará na Esplanada dos Ministérios, protestando em frente ao Congresso, junto com a esposa. "Se não for [à manifestação], essa turma vai crescer sobre o presidente e, com certeza, teremos uma crise institucional muito grave", afirmou ele à reportagem. "A manifestação é minha, não do Bolsonaro. Já pensou se ele tivesse avalizado a manifestação?"

Em Gurupi (TO), o ex-candidato a senador pelo PSL Farlei Meyer, 51, acredita que o presidente não prejudicou a organização dos protestos. "O Bolsonaro não esvaziou ele, como presidente, recomendou que adiasse", iniciou.

“Quem tem medo de morrer é covarde” - Reprodução
“Quem tem medo de morrer é covarde”
Imagem: Reprodução

Ele, como presidente, não poderia assumir esse ônus. Assim, fez o que todo chefe de governo deveria fazer: recomendar. Mas o povo é soberano e decide se vai ou nao vai"
Farlei Meyer, policial e ex-candidato a senador

Para Farlei, que é policial federal aposentado e um dos organizadores do partido Aliança Pelo Brasil, "as manifestações são algo apartidário, apolítico, são pró-Brasil".

Militantes veem "viabilidade" em intervenção militar

Em um grupos de WhatsApp, um militante fez um vídeo em que destacou a frase de Bolsonaro em que o presidente disse que os protestos "atentem aos interesses da nação". Por isso, não haveria impedimento para as manifestações pró-governo.

No zap: presidente teve postura "protocolar e cautelosa"  - Reprodução
No zap: presidente teve postura "protocolar e cautelosa"
Imagem: Reprodução

Outro apoiador gravou um áudio em que disse que, com menos pessoas, seria "mais viável" mudar estratégia. Ele sugeriu pedir a "intervenção lá no Congresso e no STF" (Supremo Tribunal Federal) protestando "em frente ao quartel-general de cada estado".

A maioria concordou. Mas houve quem visse o movimento com preocupação. Para ele, a "desunião" seria uma estratégia da esquerda. E defendeu seguir os comandos do presidente da República.

Na sexta-feira, alguns dos principais organizadores da manifestação, como o movimento Nas Ruas, o Avança e o São Paulo Conservador anunciaram o adiamento do ato, em razão do agravamento da crise do coronavírus.

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