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Governadores se reúnem com Maia e pedem crédito e redução de superávit

Houve críticas duras a Bolsonaro de nomes como João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) e Flavio Dino (PCdoB) - ADRIANO MACHADO
Houve críticas duras a Bolsonaro de nomes como João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) e Flavio Dino (PCdoB) Imagem: ADRIANO MACHADO

Eduardo Militão e Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo e Brasília

25/03/2020 18h33Atualizada em 25/03/2020 20h33

Um total de 26 governadores e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se reuniram por videoconferência nesta tarde para tratar da crise da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Eles pediram crédito para micro, pequenas e médias empresas e redução da meta de superávit fiscal e aplicação destes recursos na saúde. Na ocasião, Maia afirmou que a pressão para relaxar as medidas contra a pandemia vem de pessoas que estão perdendo dinheiro na Bolsa.

Em um dia tenso, marcado por embates entre os governadores do sudeste e Jair Bolsonaro (sem partido), com atrito entre o presidente e João Doria (PSBD-SP), parte dos governadores adotou discursos de união de forças entre eles e o Congresso para responder ao que consideram ser um vácuo de liderança por falta de ação do governo federal.

Todos afirmaram que vão manter a quarentena, apesar do pronunciamento de terça feito pelo presidente. Ao final do encontro, Doria leu um documento que contém cinco demandas dos governadores. Além do governador de São Paulo, Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, e Flavio Dino (PCdoB), do Maranhão, estavam entre os principais críticos de Bolsonaro.

Divididos entre o apoio a ele, os presentes relataram os desafios de seus estados e preocupações com os efeitos econômicos da crise. Eles não entraram na briga Doria e Bolsonaro, mas ninguém defendeu o presidente.

No encontro, alguns simbolismos minaram a imagem do presidente, como o fato do governador paulista liderar os trabalho e a presença de Maia, principal alvo da presidência antes da crise causada pela pandemia. Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro e outro alvo predileto de Bolsonaro, foi ponderado e não fez críticas.

Os governadores fizeram discursos em ordem alfabética pelo nome dos estados. Em sua fala, Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, pediu que o encontro tratasse de questões políticas, porque as discussões de saúde estavam contempladas nas cartas e posições já divulgadas.

Ele disse que as lideranças estaduais trabalham em uma direção — seguindo orientações do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial de Saúde) —, mas que o presidente prefere o confronto à mediação. "Neste processo, ele acaba perdendo a chance de liderar, de promover uma coordenação das nossas ações no Brasil, o que nós hoje mais sentimos falta."

Casagrande pediu o fortalecimento do Fórum de Governadores porque, junto, o grupo consegue liderar um movimento nacional pela força dos estados. Ele também pediu que a carta resultante do encontro destaque preocupação social.

"Eu quero fortalecer o papel do Congresso Nacional, mas quero fortalecer aqui o papel do presidente Rodrigo Maia, que tem já liderado e tem, de alguma maneira, complementado um trabalho nacional em diversos temas. Que o presidente Rodrigo Maia coordene, a partir de agora, junto com o presidente [do Senado] David Alcolumbre [DEM-AP] e conosco uma ação para que a gente possa ter unidade nacional e possa dialogar com os ministros do governo do presidente Jari Bolsonaro", completou.

Muitos governadores seguiram o tom do discurso e da leitura da situação feita por Casagrande, mas nem todos. Alguns limitaram-se a relatar os problemas e dificuldades de seus estados. Houve somente uma ausência: Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal.

Maia diz que não pode afrouxar medidas porque estão perdendo dinheiro nas bolsas

Convidado para o encontro, Rodrigo Maia falou que era preciso tratar de temas de curto prazo para preservar empregos. Ele falou que levou para o governo federal a queixa dos estados de perdas com arrecadação de ICMS, e culpou a pressão feita por quem sonha com a elevação dos índices da Bolsa de Valores para os pedidos de afrouxamento das medidas de combate à covid-19.

"A gente não pode deixar de cuidar das pessoas porque alguns estão perdendo dinheiro na Bolsa de Valores. É isto que está acontecendo no meu ponto de vista."

Os governadores devem divulgar uma carta com temas de interesse dos estados no enfrentamento da crise de saúde pública. Entre eles, estão:

  • suspensão, por 12 meses, do pagamento da dívida dos estados coma União, Caixa Econômica e Banco do Brasil e o BNDES;
  • linha de crédito do BNDES para aplicação em saúde e obras;
  • linhas de crédito para médias, pequenas e micro empresas;
  • viabilizar recursos aos estados para reforçar a capacidade financeira e permitir contratação de novas operações de crédito;
  • aprovar o chamado "Plano Mansueto";
  • redução da meta de superávit;
  • aplicar lei que institui renda básica para amparar população vulnerável.

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