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Braga Netto: presença de Mandetta é palavra de união e posição do governo

Luiz Henrique Mandetta na coletiva em que disse que fica no Ministério da Saúde - Foto: Adriano Machado/Reuters
Luiz Henrique Mandetta na coletiva em que disse que fica no Ministério da Saúde Imagem: Foto: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

07/04/2020 18h12

O ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, garantiu que a reunião que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez ontem com seus ministros não foi sobre a demissão do titular da pasta da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e que o momento é de união.

Netto ainda afirmou, em coletiva hoje realizada no Palácio do Planalto para atualização da pandemia do coronavírus no Brasil, que o governo confia no ministro da Saúde.

"A reunião de ontem foi rotineira de ministros. Ele [Bolsonaro] tem direito. O assunto que foi tratado ficará somente na reunião e garanto que não foi a demissão do Mandetta. A resposta é que o Mandetta está aqui e a palavra é de união. Essa é a posição do governo", afirmou o general.

Mandetta, que também participou da coletiva, voltou a afirmar que é normal ter divergências, citou uma frase do filósofo grego Sócrates e que agora precisamos pensar para a frente e lutar para tirar o Brasil do perigo.

"Tudo o que estamos precisando é da participação de todos, foco. É normal, ninguém consegue ter um olhar só de um ângulo. No Ministério da Saúde temos dúvidas: tudo o que eu sei é que nada sei, que vamos fazer o nosso melhor. E é normal que tenham divergências", disse.

O ministro elogiou os integrantes do governo que, segundo ele, ontem fizeram um exercício coletivo para pensar nas melhores soluções para o país, citando ainda que teremos "semanas duras" e que os brasileiros irão "sofrer" por conta doença.

"Estamos aqui para trabalhar. A gente tem que andar para a frente, usar pouco o retrovisor e olhar para a frente", completou.

Mandetta afirmou na noite de hoje que permanece no cargo após reunião que teve à tarde com o presidente. Ele participou de reunião com todos os outros ministros do governo e ficou fora da entrevista diária em que sua pasta apresenta o balanço sobre o avanço do coronavírus no Brasil.

O anúncio do "fico" foi feito em coletiva de imprensa marcada de última hora e que reuniu diversos secretários do ministério, na qual afirmou novamente que "médico não abandona paciente" e que vai seguir trabalhando com "ciência, foco e planejamento".

Por outro lado, Mandetta disse que agora as "condições de trabalhos precisam ser para todos"

Ministério não vai falar para 'fechar bares'

Mandetta afirmou que novas orientações da pasta flexibilizando o isolamento social seguem parâmetros distintos para cada cidade. De acordo com o ministro, municípios com mais casos de coronavírus, como Manaus e Fortaleza, estão no radar nacional e devem manter isolamento mais rígido por demandarem mais atenção.

Ele afirmou que São Paulo também tem elementos para reforçar o isolamento, passado um mês do primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil, porque agora há números de comparação dentro do país — antes, os elementos eram baseados no isolamento feito em outros países, sem considerar as especificidades do Brasil.

"Se tem mais de 50% dos leitos que precisa disponíveis, parados para atender, se tem todos os equipamentos de proteção individual abastecidos, quer dizer, isso é parâmetro (para reduzir o isolamento). O Ministério da Saúde nunca é quem adota o grau de rigidez", disse ele sobre casos em que a flexibilização pode ser considerada.

Mandetta também afirmou que o SUS é fruto de parceria entre prefeitura, governo estadual e governo federal e que, por isso, não cabe à pasta falar em determinações — apenas orientar sobre o tema.

"Não vai ser o Ministério que vai falar para fechar o bar, fechar o teatro, parar o ônibus, não ir ao metrô. Posso dar para eles os critérios, que é algo que a gente vem trabalhando e é difícil, porque cada um tem uma experiência", disse.

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