PUBLICIDADE
Topo

Política

Esse conteúdo é antigo

Santos Cruz diz que direita está dando mau exemplo: 'Atrapalha o governo'

Do UOL, em São Paulo

22/04/2020 15h51Atualizada em 22/04/2020 16h49

A direita —ou a "massa mais conservadora"— quer resgatar alguns valores, mas está dando mau exemplo, perdendo a oportunidade de mostrar o que pode produzir e "atrapalhando demais o governo", avaliou hoje o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Aberto dos Santos Cruz.

A declaração foi feita em entrevista ao UOL, quando Santos Cruz foi questionado sobre a atuação do chamado "gabinete do ódio" do governo. "Não é só meme e piada, é questão de desrespeito. A direita quer mudar algumas coisas e está dando um mau exemplo. Está perdendo a oportunidade de mostrar o que a classe média pode produzir. Eu acho que eles estão atrapalhando demais o governo", disse.

Para o general, os responsáveis pelos ataques na internet fazem parte de grupos ideológicos que acabaram se confundindo com o governo porque são apoiadores que vêm desde a época das eleições. "A eleição foi vencida por méritos com apoio de grupos. Depois da eleição, você deixa o presidente governar", defendeu.

Ele ainda disse acreditar que o gabinete do ódio não é formado por apenas "duas, três ou quatro pessoas" ligadas ao governo, mas sim por um grupo de fanáticos ideológicos que extrapolam os limites e confundem liberdade com falta de responsabilidade.

"Esse pessoal acha que se você critica o que aconteceu com o PT, você tem que ser bolsonarista. Se critica o Bolsonaro, é PT. É um raciocínio binário que não está ajudando em nada. Estamos perdendo a chance de a classe média conservadora de direita, e sou um exemplo dela, mostrar o que sabe fazer. Ela sabe fazer muito mais que brigar", concluiu.

Sobre a atuação de pessoas da família Bolsonaro, principalmente o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o general foi enfático: "A maioria votou no presidente Bolsonaro e não em ninguém da família. Cada um tem seu mandato. Não foi um voto familiar. Se tivesse alguma função pública no governo federal, até poderia dar o meu parecer, mas é uma pessoa que não tem ligação. Você deixar uma pessoa que não tem responsabilidade funcional interferir, ela pode atrapalhar. Quem não tem essa responsabilidade não tem essa pressão. Não é bom dar liberdade."

Política