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Jamil Chade: 'Mercados temem que Guedes seja o próximo a sair'

Do UOL, em São Paulo

24/04/2020 18h23Atualizada em 24/04/2020 20h07

Com a demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, Paulo Guedes é o "último fiador" do Brasil, e uma eventual saída do Ministério da Economia pode fazer a situação do País "piorar muito mais". A opinião é do colunista do UOL, Jamil Chade, que conversou hoje com Diogo Schelp e Maria Carolina Trevisan, do podcast "Baixo Clero".

"Você ainda tem uma pessoa-chave no governo. [Mas] Se o segundo fiador brasileiro, que é o Guedes, sair... O fluxo é de saída, e sem o último fiador, a situação pode piorar muito mais", avalia Chade.

Isso porque, lembra o colunista, o País ainda precisa lidar com o novo coronavírus, que já deixou mais de 3.600 mortos no Brasil. "Se tem um local com 200 milhões de habitantes onde a pandemia está descontrolada, o País passa a ser uma ameaça sanitária para o resto do mundo", diz, acrescentando que isso já foi falado anteriormente pela própria OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para Chade, porém, Moro carrega parte da responsabilidade pela crise política que o País vive hoje. O agora ex-ministro, "como defensor da moralidade", endossou o discurso anti-política defendido por Bolsonaro. A diferença neste caso, de acordo com o colunista, é que a posição do presidente "não faz sentido".

Repercussão internacional

Chade, que mora em Genebra, na Suíça, também comentou sobre a repercussão internacional da saída do ex-juiz federal, que, segundo ele, foi "muito grande". "A meu ver, é um reflexo do papel que Moro tinha, uma espécia de fiador internacional do governo", compara.

Ele citou o Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro de 2019, evento em que Bolsonaro e Moro estiveram presentes. De acordo com o colunista, enquanto o presidente desembarcava, a comunidade internacional estava de olho em outra pessoa —o então ministro da Justiça.

"Ele vinha com a credencial do combate à corrupção, que para o empresário caía muito bem, e tinha a aura de alguém que vinha para limpar. O Moro, junto com Guedes, eram os dois fiadores internacionais do governo. Ele era um dos pilares do que 'sobrou' de credibilidade do governo. Mas foi perdendo essa aura", completa.

Demissão de Moro

Moro pediu demissão do Ministério da Justiça nesta manhã. Ao anunciar sua saída, o ex-juiz federal disse que Bolsonaro teve papel fundamental em sua decisão. Segundo Moro, o presidente lhe quer "fora do governo".

O agora ex-ministro revelou não ter sido consultado sobre a demissão de Maurício Valeixo do posto de diretor-geral da Polícia Federal. Para Moro, o ato "foi ofensivo" e não teve seu aval, como alega a Secretaria de Comunicação da Presidência.

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