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Moro rebate Bolsonaro e nega ingratidão: apoiei quando injustamente atacado

Presidente Jair Bolsonaro e ministro Sergio Moro lado a lado, em solenidade no Palácio do Planalto, em outubro de 2019 - Mateus Bonomi/AGIF
Presidente Jair Bolsonaro e ministro Sergio Moro lado a lado, em solenidade no Palácio do Planalto, em outubro de 2019 Imagem: Mateus Bonomi/AGIF

Do UOL, em São Paulo

25/04/2020 11h41

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro rebateu uma postagem de Jair Bolsonaro (sem partido) e negou ingratidão após ter feito acusações contra o presidente da República ao deixar ontem o cargo.

"Sobre reclamação na rede social do Sr. Presidente quanto à suposta ingratidão: também apoiei o PR quando ele foi injustamente atacado. Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional, de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal", escreveu Moro no Twitter, compartilhando uma notícia de que, quando ainda ministro, solicitou a investigação de um porteiro do condomínio do presidente no Rio de Janeiro.

Ontem, ao contra-atacar Moro em pronunciamento, Bolsonaro cobrou o ex-ministro pela investigação do porteiro de seu condomínio que, em depoimento, disse ter liberado a entrada de um dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco com o aval do hoje presidente da República. Posteriormente, o porteiro recuou e afirmou ter se equivocado. Ronnie Lessa, apontado como um dos assassinos de Marielle, mora no mesmo condomínio de Bolsonaro.

A resposta de Moro foi a uma postagem de Bolsonaro de hoje cedo. Nela, o presidente colocou uma foto do ano passado abraçado com o ex-juiz da Lava Jato. Bolsonaro citou a Vaza Jato e disse que enquanto partidos e o STF (Supremo Tribunal Federal) pressionavam Moro, ele estava abraçado com ele.

A Vaza Jato é o nome dado às reportagens divulgadas pelo The Intercept Brasil com parceria de veículos de imprensa, como o UOL, que revelaram trocas de mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato, durante as investigações. As reportagens motivaram partidos políticos a pediram a queda do então ministro da Justiça.

Mais cedo, Sergio Moro já havia compartilhado em uma rede social uma campanha publicitária divulgada no início de seu mandato à frente da pasta. No vídeo uma locutora diz: "O poder público não é negócio de família".

"'Faça a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo' foi o lema de campanha de integridade que fizemos logo no início no MJSP. Abaixo vídeo simples sobre ela, mas ainda disponível", escreveu o ex-ministro.

O vídeo, com duração de 2 minutos e 57 segundos, elenca "As 10 diretrizes do Ministério da Justiça e da Segurança Pública", que ele acabara de assumir.

Dentre as diretrizes há recomendações como "Todos somos responsáveis pela integridade, reputação e imagem do ministério" e "A transparência é a nossa regra, sigilo é exceção".

O quarto recado diz: "O poder público não é um negócio de família".

O pedido de demissão

Ontem, Moro pediu demissão do cargo de ministro alegando discordar da suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na PF (Polícia Federal) ao exonerar o diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo.

Em pronunciamento, ele acusou o presidente de querer ter acesso a investigações sigilosas e disse que Bolsonaro lhe confidenciou estar preocupado com inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

Moro não mencionou os filhos do presidente em seu discurso, mas, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o novo indicado para chefiar a PF, o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, é homem de confiança de seus filhos.

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) esteve diretamente à frente da decisão que o levou ao comando da agência de inteligência em junho passado.

O aval do "filho 02" foi conquistado durante a crise política que levou à saída do ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz.

Os filhos do presidente são investigados por diferentes instâncias.

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