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Política

Lula descarta candidatura em 2022 e diz querer ser "cabo eleitoral"

Do UOL, em São Paulo

30/04/2020 11h37Atualizada em 30/04/2020 15h05

A mais de dois anos das eleições de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou ter intenção de se candidatar à Presidência novamente. Em entrevista ao colunista do UOL Leonardo Sakamoto, no UOL Entrevista, Lula disse nesta quinta-feira que já estará com 77 anos em 2022 e pretende ser apenas um "cabo eleitoral".

Fico olhando minha vida já fui longe demais, espero que quando chegar 2022 o PT tenha candidato. Eu, sinceramente, vou estar com 77 anos quando chegar outubro de 2022. Se eu tiver juízo, tenho que ajudar para que o PT tenha outro candidato e que eu seja um bom cabo eleitoral. Quero ajudar a eleger alguém que tenha compromisso com o povo trabalhando.

O petista foi condenado em segunda instância nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, imóveis atribuídos a ele no estado de São Paulo. Pela Lei da Ficha Limpa, Lula não pode se candidatar à Presidência da República.

"Para que eu fosse candidato em 2022 teria que estar com 100% de saúde, com a disposição que eu tenho agora, porque não posso ser candidato e ficar um velhinho arrastando o pé dentro do palácio, isso não é bom. Já prestei serviço para o país. Espero que o Brasil e o PT não precisem de mim", completou.

Lula chegou a ser anunciado candidato à Presidência em 2018, mas teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele lembrou, ainda, de 2016, quando teve proibida a sua nomeação para ser ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff (PT).

"Eu, na época, não falei nada, você não vai encontrar uma frase minha contra a decisão do Gilmar (Mendes). A indicação de um ministro é papel do presidente. Alguns dias depois veio o golpe, o Moreira Franco foi indicado (por Michel Temer) e ninguém vetou", recordou.

Troca na PF não pode ser guerra

Segundo o ex-presidente, a troca no comando da Polícia Federal (PF) não pode se tornar uma guerra.

Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF), em caráter liminar, barrou a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da PF.

O fato de o delegado ser amigo do Bolsonaro precisa provar se tem alguma relação suspeita. Se tiver, para o bem da própria instituição, é importante que não seja indicado alguém que tenha um compadrio com o presidente ou com a família do presidente. Mas não pode ser uma guerra a troca.

O ex-presidente negou as comparações feitas sobre uma troca na PF que fez em 2007.

"Isso não pode ser comparado. Na minha época, foi bem diferente", explicou. "O ministro era o Márcio Thomaz Bastos, e estava na hora de fazer uma mexida na PF, porque o Márcio ia sair do ministério e era um cara indicado por ele. Ele achava que [fosse importante] haver a troca do Márcio Lacerda por uma pessoa que não tivesse a relação que tinha com ele. Lacerda teve toda a liberdade que quis para trabalhar porque sempre achei que as instituições têm que ter liberdade para que o Estado brasileiro seja cada vez mais democrático", diz.

O ex-presidente relembrou ainda a investigação que a Polícia Federal fez na casa de seu irmão, Vavá. "Fiquei sabendo com 11 horas de antecedência que iriam fazer uma investigação na casa do meu irmão. Eu disse 'se estiverem cumprindo a lei, que cumpram, porque não é o irmão do Vavá que está sabendo, é o presidente da República'".

"Mau-caratismo de Moro"

O ex-presidente comentou o discurso do ex-ministro Sergio Moro, quando anunciou sua demissão do governo Bolsonaro e citou governos anteriores quando tratou de liberdade à Polícia Federal.

[Esse pronunciamento] só demonstra o mau-caratismo do moro. Ele utilizou o PT para atacar o Bolsonaro. Ele foi lambe-botas do Bolsonaro até o dia em que saiu. Para ser honesto, Moro poderia ter dito também que cuidamos do Ministério Público bem, que eu garantia autonomia a todos os indicados ao meu governo.

Segundo o ex-presidente, Moro acreditava ser mais importante que o presidente da República. "Moro é criatura inventada pela Globo. Ele só queria o bônus e não o ônus da tarefa, e isso não vinga. O ministro não pode acreditar que é forte. O Moro é um juiz medíocre. Ele sequer atende a gente no depoimento olhando na cara, fica de cabeça baixa. Moro achava que no ministério poderia ser mais importante que o presidente e não é. E foi por isso que ele caiu".

Procurado pelo UOL, o ex-ministro Sergio Moro disse que não vai se manifestar.

Covid-19

Lula criticou os embates com governadores e prefeitos em meio à pandemia do novo coronavírus e disse que é preciso encontrar possíveis crimes de responsabilidade de Bolsonaro no cargo para iniciar o processo de impeachment.

O governo não pode ficar brigando com governador, prefeito, precisa ser o maestro dos entes federados. Ele não cuida da pandemia, da economia, do emprego, do trabalho. Que governo é esse?

"Ou a gente encontra um jeito de pegar os crimes de responsabilidade que o Bolsonaro cometeu e tira ele ou ele vai acabar com esse país do jeito que vai", completou.

Lula ainda criticou a postura de Bolsonaro nas relações exteriores. "O meu problema com o Bolsonaro é que ele não cuida da pandemia, da economia, da política de relações exteriores... o Brasil nunca foi tão avacalhado no exterior como agora. Tinha virado protagonista internacional", disse.

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