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FHC e Collor veem erro do STF em barrar nomeação de Ramagem: 'Exagero'

Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente FHC - Sebastián Vivallo Oñate/Agencia Makro/Getty Images
Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente FHC Imagem: Sebastián Vivallo Oñate/Agencia Makro/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

04/05/2020 16h16

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor afirmaram que o Supremo Tribunal Federal (STF) errou ao barrar a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes resultou em queixas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao papel do STF.

"Como o presidente atual vai pela agressão ao contrário da coalizão, ele abre espaço para que outros Poderes queiram cumprir funções que são dele. Eu acho que o Judiciário, agora, exagerou. Foi além do constitucional. Você não pode dar ao presidente a desculpa de dizer ao país 'eu não posso governar porque estou sendo bloqueado', que ele está dizendo. Foi dado um pretexto que não é oportuno. Como estamos fora do poder, é mais fácil ver. Quem está na briga tem mais dificuldade", disse FHC em live do site Consultor Jurídico.

"É preciso que haja entendimento (do Judiciário) com os outros setores, Legislativo e Executivo. Requer do presidente da República a compreensão do seu espaço na harmonia entre os Poderes. Quando não tem essa sensação, os Poderes vão procurar puxar cada um para o seu lado. O que não dá certo, e sim umas leves confusões."

Já Collor declarou que um presidente da República "se sente incomodado" quando sofre uma interferência do STF.

"Todos nós que exercemos a presidência da República, toda vez que uma decisão do Supremo interfere em um ato presidencial, nós nos sentimos extremamente incomodados. Mas temos que ter em mente uma decisão simples. Decisão da Justiça só se pode discutir no âmbito da Justiça. Nós temos que acatar a decisão judicial. Na questão específica da nomeação do diretor geral da Polícia Federal, eu acredito que não fosse interessante ao STF ter entrado nesse arremedo, porque é um ato privativo do presidente da República", falou.

"Cabe ao presidente fazer a nomeação de quem quer que seja. Claro, tendo atenção ao currículo, mas nunca se pensou se é uma pessoa mais amiga ou menos amiga do presidente. É normal indicar, se uma pessoa conhecida, alguém com quem se identifique", acrescentou.