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Bolsonaro falou em 'gripe' para evitar pânico no país, justifica Guedes

Paulo Guedes em coletiva que anunciou o plano para enfrentar o coronavírus - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência O Globo
Paulo Guedes em coletiva que anunciou o plano para enfrentar o coronavírus Imagem: Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência O Globo

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

09/05/2020 19h30

Paulo Guedes, ministro da Economia, saiu em defesa de Jair Bolsonaro (sem partido) em uma videoconferência organizada pelo Itaú BBA hoje à tarde. Ao explicar as manifestações públicas sobre a retomada da economia em meio ao crescimento do novo coronavírus no país, Guedes fez referências aos posicionamentos do presidente, que chegou a comparar a pandemia a uma "gripezinha".

"Como líder do país, ele também não queria deixar toda a população em pânico, dizendo: 'olha, todo mundo fica em casa'. Então, ele minimizava. 'Não, peraí, isso é uma gripe mais forte'", comentou.

Em seguida, Guedes destacou a necessidade de preocupação com a saúde e com a economia.

"Tem que ter equilíbrio entre essas duas visões. Tem uma turma que fala só da saúde. E o presidente chamando a atenção do lado da economia. Nós temos que prestar a atenção nas duas dimensões. Se deixarmos os cuidados só com a saúde destruírem os sinais vitais da economia brasileira, nós também não vamos voar".

Em outro momento da videoconferência, o ministro falou mais uma vez sobre a relação entre a pandemia e a crise econômica. "O brasileiro está numa luta orgânica contra o vírus. E vai começar agora a luta contra o colapso econômico", comparou. "É como disse o presidente Bolsonaro, vamos salvar vidas e preservar empregos".

Guedes diz que '200 milhões de trouxas' são explorados por seis bancos

Ao falar sobre a necessidade de atrair recursos do exterior com juros baixos, Guedes criticou a pouca quantidade de empresas no país. "Em vez de sermos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis bancos, seis empreiteiras, seis empresas de cabotagem, vai ser o contrário. Teremos centenas, milhares de empresas. Vamos criar uma classe média forte de empreendedores", projetou.

'Fôlego começando a escassear', diz Guedes sobre a economia

Guedes também disse que a economia está reagindo bem em meio à pandemia. Entretanto, fez um alertam dizendo que esse quadro pode mudar se as atividades não forem retomadas em um prazo entre 30 e 50 dias.

"Estradas abertas, com produtos chegando na casa das pessoas. Os sinais vitais de preservação da vida econômica estão mantidos. Mas o fôlego está começando a escassear", advertiu.

O ministro voltou a defender a postura de Bolsonaro ao falar sobre a turbulenta relação com a imprensa, agravada nos últimos dias. Na última terça-feira (5), o presidente chegou a mandar os jornalistas calar a boca ao ser questionado sobre agressões cometidas por apoiadores do governo em manifestações.

"O presidente tem uma regra simples de comportamento. Ele respeita quem o respeita. E devolve a carga de desrespeito que ele sofreu [pela imprensa]. Vamos fazer críticas, mas de forma construtiva", argumenta.

Paulo Guedes também falou sobre as ações de lockdown — isolamento radical — que começam a ser adotadas em algumas cidades do país.

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