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Tales Faria: Governo Bolsonaro fracassou e saída de Teich é 'desastre'

Do UOL, em São Paulo

15/05/2020 13h53Atualizada em 16/05/2020 08h54

O colunista do UOL Tales Faria avaliou hoje a saída de Nelson Teich do ministério da Saúde como um "desastre" para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A afirmação foi feita durante debate com Thaís Oyama, Jairo Bouer e Leonardo Sakamoto, também colunistas do UOL. Na avaliação dele, o governo fracassou e é praticamente impossível que o presidente chegue com economia sanada em 2022 e o apoio popular.

"Do ponto de vista econômico, não vejo caminho. Tá vindo a pandemia, a gente nem chegou ao pico, e a economia vai ficar parada. Ela só se recupera daqui a alguns anos, muitos anos. Vai chegar, no quadro em que está, pro plano dele de chegar a 2022 em condições de se reeleger é muito difícil. Praticamente impossível hoje que o Bolsonaro chegue com a economia sanada em 2022 e com uma popularidade da população brasileira", avaliou Tales.

Teich deixou hoje o governo. A saída do ministro acontece menos de um mês após ele substituir Luiz Henrique Mandetta na pasta, e já vinha sendo cogitada havia alguns dias. Uma entrevista coletiva está marcada para esta tarde no ministério para esclarecer a exoneração.

Tales ainda detalhou sua visão sobre o tratamento de Jair Bolsonaro aos subordinados na presidência.

"O presidente humilha os subordinados dele o tempo inteiro, inclusive os generais. Ele trata debaixo de pau, de pancada, e a turma fica aceitando", analisou.

O comportamento de Bolsonaro, inclusive, seria um dos empecilhos para achar o substituto de Teich. É necessário que o futuro ministro assuma a pasta disposto a concordar com a opinião do presidente, independente de qual seja.

"(Será preciso) Achar alguém que se disponha a ser humilhado publicamente como foi o pobre do Nelson Teich. Foi uma humilhação pública. Pelo menos o Mandetta saiu maior do que entrou. Bateu de frente com o presidente e saiu maior do que entrou. O Nelson Teich, tadinho, ele saiu menor. Ele entrou como médico respeitado na profissão dele e ficou ali sendo humilhado publicamente pelo presidente", opinou.

As frequentes trocas na saúde ainda ameaçam os demais ministros. Cargos ocupados por técnicos, e não políticos, estão ameaçados, na avaliação do colunista. Até mesmo o de Paulo Guedes, ministro da Economia.

"Com isso, se botar um general [na Saúde], veja bem, vai ser um governo de generais e bolsonaristas de raiz, olavistas digamos assim, expulsando os técnicos. Daqui a pouco sai a ministra Teresa Cristina, da Agricultura, que é cargo técnico, mais ou menos técnica, é política, mas é técnica. E eu acho que o Paulo Gudes não vai resistir muito, porque também tem outra questão: isso tudo está caindo na conta do Paulo Guedes. Quando o Bolsonaro coloca a economia contra a saúde, cai na conta do Guedes. Vão cobrar dele, depois dizer 'olha teve esse um milhão de mortes por que o presidente tentou fazer a sua vontade', e eu acho que ele não vai gostar muito disso", acrescentou.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.