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Coronavírus

Ao defender Estado, Lula diz: "Ainda bem que natureza criou o coronavírus"

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 11h55Atualizada em 20/05/2020 14h45

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a pandemia da covid-19 permitiu que se possa entender a necessidade do Estado para resolver crises. Na frase, dita em entrevista concedida ontem à revista Carta Capital, Lula disse que "ainda bem que natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus".

O petista exaltou o vírus para criticar pessoas que acreditam que "nada que é público que presta", que "tem que vender tudo que é público". Esse grupo formaria uma "elite grosseira", que seria responsável por Jair Bolsonaro (sem partido) estar no Planalto. "Essa crise do coronavírus somente o Estado é que pode resolver isso."

"Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises."

No início da tarde de hoje, o ex-presidente pediu desculpas pela frase, que classificou como "infeliz".

Críticas a Bolsonaro

Lula ainda criticou os problemas envolvendo o auxílio emergencial de R$ 600. Há relatos de problemas para retirada do benefício. "Eles prometeram e sequer eles cumpriram com a tarefa de dar R$ 600 e as pessoas ficarem em casa e se protegerem do coronavírus."

A conduta de Bolsonaro na pandemia também foi observada pelo ex-presidente. Lula diz que o atual presidente que Bolsonaro está cometendo um genocídio ao "receitar remédio contra toda a comunidade científica"..Para o petista, Bolsonaro está cometendo crime de responsabilidade ao "não respeitar a ciência".

Lula também avalia que Bolsonaro "não é capaz de formular um pensamento que seja razoável".

Elite "raivosa" e "perversa"

Para o ex-presidente, a "elite raivosa" é "perversa, não quer que o debaixo suba sequer um degrau".

Na entrevista, o ex-presidente, já condenado em dois processos na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro, não deixou de fazer as tradicionais críticas a Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, ex-juiz da operação e ex-aliado de Bolsonaro.

Para ele, a elite "conseguiu inventar uma coisa mais sofisticada para me pegar: inventar uma denúncia de corrupção". O petista diz que, se juntar Moro, o MPF (Ministério Público Federal) e parte da mídia, não se consegue ter um "Lula de honestidade". Os processos em que Lula foi condenado tiveram as sentenças confirmadas por instâncias superiores.

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