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Não dá para dizer que confio em Bolsonaro, diz Janaina Paschoal

Alex Tajra, Felipe Pereira e Tales Faria

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

22/05/2020 17h00Atualizada em 22/05/2020 17h53

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), antes uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro (sem partido), admitiu hoje não ser possível dizer que confia no presidente. Em entrevista ao UOL, ela contou que falou pessoalmente com Bolsonaro apenas "três ou quatro vezes", e que isso seria pouco para gerar confiança.

"Confiar, eu confio no meu pai e na minha mãe", afirmou. "Conversei com o presidente pessoalmente umas três ou quatro vezes. Por telefone, umas três ou quatro vezes. A maneira como ele lidou com a questão da corrupção depois que tomou posse não corrobora para que eu fale que confio nele", completou.

Questionada sobre os sinais que a fizeram chegar neste patamar, a deputada citou as discussões sobre o antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), hoje chamado de UIF (Unidade de Inteligência Financeira), a sanção do juiz de garantias —para Janaina, "decepcionante"— e a aproximação de pessoas "que nunca tiveram a luta contra a corrupção como algo importante". Ela, porém, não citou nomes.

Ela, no entanto, reiterou que acredita que o país é melhor com Bolsonaro, a despeito de suas "grosserias", e que o fato de todos "odiarem" sua figura facilita a fiscalização do governo.

Apesar de tudo, não está bom, mas é mais seguro do que era com o PT que fazia o que fazia e ninguém falava nada.

Impeachment

Antes da divulgação pelo STF da reunião ministerial do presidente, no inquérito sobre denúncias de Sergio Moro, Janaina, uma das signatárias do processo que gerou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), disse ainda não ter visto motivos para um pedido de impedimento do presidente Jair Bolsonaro.

"Acho muito engraçado — apesar de ter sido uma semana pesada, eu me diverti — ver os juristas que me chamavam de golpista, pedindo com um ano e pouco o impeachment do Bolsonaro com base na palavra do Moro. Com uma petição, legitimariam o processo de impeachment que eles destroem tanto e a [Operação] Lava Jato inteirinha", disse.

Muita gente fez pedidos de impeachment baseada nos relatos [de Sergio Moro]. Quando vi a entrevista do ministro, que eu tenho em alta conta (...), o Moro falava na coletiva e eu chorava: 'acabou, a bandidagem vai tomar conta'. Mas quando você vê os depoimentos, não tem nada

Em relação às acusações de Paulo Marinho, empresário que foi aliado de Bolsonaro e, em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que Flávio Bolsonaro teria tido conhecimento prévio de uma operação da Polícia Federal, Janaina afirma que "tem potencial maior".

"Pode ser que dai surja alguma coisa, tem que investigar", diz. Janaina ressalta que neste caso o filho mais velho do presidente é o potencial prejudicado.

Sobre sua proximidade com o bolsonarimo, com o qual nutre relação ambígua, Paschoal afirmou que "nunca foi do grupo". "Se me dissessem um ano antes da eleição: 'você vai votar e fazer campanha para ele?' Eu ia dizer: 'você é louco'."

'Feriadão' e lockdown

Na entrevista, Janaina se disse favorável ao isolamento social, medida tida como a principal para conter a curva de contaminação do novo coronavírus. Ontem, contudo, ela criticou o projeto de lei aprovado na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) que antecipa o feriado de 9 de Julho para a próxima segunda-feira (25).

Mesmo defensora das medidas restritivas, a deputada é contrária ao regime de lockdown — isolamento mais profundo — medida ventilada no governo do estado e na prefeitura da capital.

Se depois desse feriado eles anunciarem o lockdown, vai ficar estranho. Quer dizer, se os números estourarem no litoral e no interior, vão dizer que é por causa disso [feriado]? (...) Um fechamento total não me parece apropriado ou necessário para o que temos em SP. Tenho acompanhado as coletivas do governador e do Ministério da Saúde. Nós não chegamos na nossa capacidade máxima

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