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Um dia após vídeo, Bolsonaro visita ministro e come cachorro-quente na rua

Jair Bolsonaro come cachorro-quente em meio a apoiadores durante passeio em Brasília - Facebook/Reprodução
Jair Bolsonaro come cachorro-quente em meio a apoiadores durante passeio em Brasília Imagem: Facebook/Reprodução

Do UOL, em São Paulo

23/05/2020 18h52Atualizada em 24/05/2020 12h45

Resumo da notícia

  • Bolsonaro se encontrou com Luiz Eduardo Rarmos, ministro da Secretaria de Governo, em uma confeitaria
  • Encontro ocorre um dia após a divulgação da reunião apontada por Sergio Moro como prova contra o presidente
  • O ex-ministro da Justiça o acusa de interferir na Polícia Federal para obter informações sobre investigações
  • Bolsonaro também se reuniu com youtubers apoiadores, mas ouviu vaias e xingamentos do público

Um dia após a divulgação de vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o Palácio da Alvorada por volta das 16h para se encontrar com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos na Asa Sul, em Brasília. Juntos foram a uma confeitaria e, em seguida, para o apartamento do ministro.

Ao UOL, o ministro disse que tratou-se apenas de uma visita de cortesia "de um velho amigo. "Foi de surpresa, mas deu tudo certo", disse. "Minha mulher correu atrás de fazer café!"

Pouco após essa conversa, Ramos postou uma foto do encontro em suas redes sociais.

Posteriormente, Jair Bolsonaro deixou o apartamento do ministro Luiz Eduardo Ramos ao som de vaias e panelaço.

Voltando a causar aglomerações, o presidente chegou a cumprimentar alguns apoiadores, mas ouviu, entre os gritos de "mitos", vaias e pedidos de "fora Bolsonaro", além de xingamentos.

Bolsonaro parou para comer um cachorro-quente na rua e, nessa situação, baixou a máscara que usava. Ele ainda reclamou e acusou: "A imprensa tá provocando aglomeração, hein?" Em meio à citada aglomeração, posou para fotos e chegou a pegar uma criança no colo, sempre sem máscara.

"Posso comer o cachorro-quente aqui fora?", perguntou. Devido às medidas adotadas no Distrito Federal para combater a covid-19, não havia mesas no local.

Questionado por uma pessoa presente sobre se iria a uma manifestação no domingo, respondeu: "Só falo de futebol hoje".

Pela manhã, Bolsonaro publicou em suas redes sociais um trecho do vídeo da reunião ministerial em que cobra o então ministro Sergio Moro em relação às detenções de pessoas feitas em função de quebra do isolamento social. O ex-juiz o acusa de ter tentado interferir na Polícia Federal para ter acesso a investigações.

O presidente também recebeu um grupo de YouTubers apoiadores ao lado das deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF). Segundo Zambelli, o grupo teria dito ao presidente no café da manhã que foi positiva a repercussão do vídeo da reunião.

Cloroquina

Durante a tarde, o presidente parou para cumprimentar populares diante do Alvorada e voltou a defender o uso da cloroquina no tratamento de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, dizendo ter ouvido testemunhos de pacientes curados.

"Até porque não tem outro remédio. É o que tem. Ou você toma cloroquina ou não tem nada. O que eu fico chateado também é que quem não quer tomar, não toma", afirmou.

Na última quarta-feira, 20, o Ministério da Saúde divulgou um documento em que defende o uso da hidroxicloroquina para todos os pacientes com covid-19, mesmo os com sintomas leves da doença.

Porém, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) publicou uma recomendação ontem em que pede a suspensão imediata das orientações do Ministério da Saúde para o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de casos leves do novo coronavírus.

"Até o momento, não existem evidências científicas robustas que possibilitem a indicação de terapia farmacológica específica", justifica o documento.

*Com informações da Agência Estado. Colaborou Carla Araújo, colunista do UOL, em Brasília

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