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Me preocupa que instigue policiais a vazar informação, diz delegada da PF

Do UOL, em São Paulo

25/05/2020 16h23Atualizada em 28/05/2020 09h26

O presidente Jair Bolsonaro disse, na última sexta-feira (22), que recebe de policiais o que chamou de "informações pessoais" sobre investigações em andamento — o que é preocupante, segundo a presidente do sindicato de delegados da Polícia Federal, Tânia Prado, porque pode instigar agentes a vazar outros fatos sigilosos.

Ela disse, no UOL Debate de hoje, que não é raro constatar a participação de policiais de diferentes cargos em organizações criminosas, mas que "não se pode dizer que é normal"

"Me preocupa que aquilo [a fala do presidente] acabe instigando policiais que queiram vazar operações e essa é uma das piores coisas que pode acontecer. Pior que bandido comum é agente público que está lá dentro, fica sabendo de uma informação sigilosa e repassa. Neste caso ele merece a demissão porque pode estar colaborando com uma organização criminosa", defende.

Ela continua: "É batata, sempre tem um policial nesses casos. Mas não se pode dizer que é normal que policiais saiam por aí passando informações sigilosas".

O UOL Debate reuniu, além de Tânia Prado, o colunista do UOL Reinaldo Azevedo, o advogado e jornalista Glenn Greenwald e o jurista e professor de Direito da FAAP Luiz Fernando Amaral.

Interferência na PF

Questionada por Reinaldo Azevedo sobre possíveis interferências em investigações, Tânia Prado afirmou que isso acontece inclusive de forma administrativa.

"Interferência é possível fazer de várias formas, por exemplo deixando aquele delegado sobrecarregado. Você sabe que ele tem dez casos urgentes e você entope ele com 200 inquéritos. É uma forma discreta de interferir. Ou você tira a equipe dele, manda dividir o escrivão com o delegado do lado, por exemplo", conta.

Veja a íntegra do debate:

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