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Após reação negativa, Weintraub diz ter 'direito de falar do Holocausto'

7.mai.2020 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado - Marcelo Camargo/Agência Brasil
7.mai.2020 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 19h46Atualizada em 28/05/2020 19h51

Depois de receber inúmeras reações negativas por associar uma operação da Polícia Federal ao nazismo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse hoje que tem direito de falar do Holocausto porque fala por ele, e não por todos os cristãos ou judeus do mundo. Weintraub também compartilhou uma foto de seus avós que, segundo ele, sobreviveram ao regime de Adolf Hitler.

"Não falem em nome de todos os cristãos ou judeus do mundo. Falo por mim! Tive avós católicos e avós sobreviventes dos campos de concentração nazistas (foto). Todos eram brasileiros. Tenho direito de falar do Holocausto! Não preciso de mais gente atentando contra minha liberdade!", escreveu o ministro em uma rede social.

Weintraub foi repudiado por entidades judaicas depois de comparar a operação de busca e apreensão feita pela PF no âmbito do inquérito das fake news ao nazismo. Ontem, em seu perfil no Twitter, o ministro disse que a operação, que investiga ataques a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), será lembrada como a "Noite dos Cristais brasileira".

A Noite dos Cristais foi uma das primeiras ações violentas contra os judeus cometidas pelos nazistas nos dias 9 e 10 de novembro de 1938. O nome faz referência aos estilhaços que encheram as ruas depois que janelas de lojas, edifícios e sinagogas judaicas foram quebradas.

"Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? Sieg heil!", escreveu o ministro, que ilustrou a publicação com uma foto da Alemanha nazista.

Mais cedo, o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, também criticou a postura do ministro da Educação. No Twitter, Lavi escreveu que o Holocausto foi "a maior tragédia da história moderna", quando pessoas foram "sistematicamente assassinadas pela barbárie nazista", não podendo ser comparado a "qualquer realidade politica no mundo".

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