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Moro diz que ouviu no Planalto que soltura de Lula era boa para Bolsonaro

Ex-ministro da Justiça Sergio Moro - Ueslei Marcelino
Ex-ministro da Justiça Sergio Moro Imagem: Ueslei Marcelino

DO UOL, em São Paulo

29/05/2020 10h23Atualizada em 30/05/2020 19h06

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro disse, em entrevista à revista Crusoé, que ouviu de pessoas no Palácio do Planalto que a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2019 era boa para politicamente para o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Moro afirmou que "ficaria devendo a informação" de quem fez o comentário, mas mostrou reprovação à análise. Antes de assumir o ministério, ele se notabilizou como juiz na Operação Lava Jato e condenou Lula à prisão na primeira instância.

"O que se dizia no Planalto era que a soltura do Lula era bom politicamente para o presidente. Isso foi dito. Eu sou um homem de justiça, um homem de lei, e não acho que é um cálculo político deve ser envolvido nisso", disse, sem detalhar a análise de dentro do Planalto de que a liberação do ex-presidente era boa politicamente para Bolsonaro.

Moro foi o juiz responsável pela sentença em primeira instância que mais tarde, também confirmada e com pena elevada pelo TRF-4, levou Lula à prisão entre abril de 2018 e novembro de 2019 pelo caso do tríplex no Guarujá.

A condenação do ex-presidente pelo caso de Atibaia aconteceu quando o ex-juiz já havia deixado o cargo em Curitiba para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo de Bolsonaro.

Lula deixou a prisão beneficiado por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que, em julgamento finalizado em novembro de 2019, proibiu prisão após condenação em segunda instância, caso de Lula.

"Preciso me reinventar"

Na entrevista à revista Crusoé, Moro também disse que não pensa, no momento, em ser candidato à Presidência em 2022. Segundo o ex-ministro, não há como discutir o assunto em meio a uma pandemia. "Pensar nisso é um negócio absolutamente inapropriado no momento".

Ele ainda disse que especulações sobre uma possível candidatura o acompanham desde a época de juiz. "Só me prejudicam".

Sua prioridade é se reinventar. "É uma questão que nem passa pela minha cabeça no momento, eu preciso me reinventar, de certa maneira também preciso me proteger de vários aspectos. É uma ilusão pensar neste tipo de situação".

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