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Política

Após ato pacífico, dispersão em SP tem bombas de efeito moral e Choque

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo*

07/06/2020 19h18Atualizada em 07/06/2020 23h18

Bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha foram utilizadas no início da noite para a dispersão de ato ocorrido na Zona Oeste de São Paulo. Após dois acordos entre manifestantes, a PM (Polícia Militar) e observadores da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), foi definido que o grupo de manifestantes remanescentes não poderia seguir até a Avenida Paulista.

Durante movimentação da Tropa de Choque, jornalistas foram aconselhados a se manter atrás da linha de bloqueio: "Quem estiver na frente é alvo".

O acordo com a dispersão foi feito com a presença do ouvidor das polícias, Elizeu Soares Lopes, que estava próximo em um momento em que houve conflito entre policiais e manifestantes. Questionado pelo UOL, afirmou que PMs agrediram porque foram agredidos e negou bombas de efeito moral. "Não é barulho de nada".

O ouvidor afirmou à reportagem às 20h que intermediava um outro acordo para que os manifestantes pudessem ir ao local que eles pretendiam, na estação Clínicas. "Um grupo de manifestantes saiu do local onde estávamos e foi para o outro lado para criar confusão com a polícia, em uma outra barreira. Foi isso o que aconteceu", disse.

A reportagem entrevistava o ouvidor no exato momento do confronto. Ele elogiava a ação da PM quando foram ouvidos os primeiros disparos de bomba. Apesar de não ver, ele afirmou que "um grupo que não queria manifestação, queria um confronto, se deslocou".

A reportagem o questionou sobre quem afirmou isso a ele, uma vez que ele não viu o início da confusão, mas, por meio de sua assessoria de imprensa, não respondeu.

"Nós já tínhamos acertado. O comandante concordou. Então, esse confronto final aconteceu em paralelo ao local que tínhamos combinado. E nem foi perante onde estávamos, foi em outro local, em outra rua", complementou o ouvidor das polícias de São Paulo.

Benedito Mariano, ex-ouvidor, afirmou à reportagem que "o atual ouvidor parece que não sabe o papel de um órgão de controle social da atividade policial. Se sabe, é mais grave porque fala como pelego. Pela fala, quis defender a ação policial. Ouvidor não é mediador".

Havia forte cheiro de gás de pimenta no local, onde foram disparadas bombas de efeito moral e balas de borracha. PMs atiraram bombas e dispararam tiros de bala de borracha.

Mais cedo, policiais deram tapas na nuca de pessoas que passavam pelo bloqueio. Dezessete pessoas foram detidas ao todo, alguns portando coquetéis molotov, madeiras e socos ingleses.

"Se nós não tivéssemos tirado esses coquetéis molotov, essas madeiras, esse soco inglês... Muita coisa pior poderia ter acontecido. A polícia está ajudando a proteger as pessoas", afirmou à CNN o coronel Álvaro Camilo, secretário-executivo da PM em SP.

"A grande maioria fez o ato e foi embora para suas casas. Porém, um pequeno grupo, que não considero manifestantes. Essas pessoas não classifico mais como manifestantes, são meia dúzia de vândalos, que querem confrontar a polícia após um ato bonito e democrático", disse.

Ouvidor - Luis Adorno/UOL - Luis Adorno/UOL
Imagem: Luis Adorno/UOL

Ato foi pacífico durante a tarde

Até o final da noite, o ato ocorreu sem grandes ocorrências, como confirmou à CNN o porta-voz da PM Emerson Massera. "As duas manifestações acontecem de maneira pacífica".

Os bloqueios foram negociados entre as lideranças e a PM (Polícia Militar), com participação de observadores da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

"A polícia cedeu onde deveria ceder. Daí para frente, a gente não vê com bons olhos a atividade de querer subir para a região da Paulista. E quebrando vidraça, como aconteceu. É para proteger o cidadão e o patrimônio.", afirmou o coronel Álvaro Camilo.

À tarde, participantes impediram uma ocorrência de tentativa de vandalismo a uma agência bancária. Segundo a PM, a estimativa é de ter havido 100 pessoas na avenida Paulista, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e 3 mil contra no Largo da Batata.

Choque prepara dispersão de ato em SP - Luis Adorno/UOL - Luis Adorno/UOL
Imagem: Luis Adorno/UOL

Concentração no Largo da Batata

O ato no Largo da Batata foi organizado pela Frente Povo Sem Medo, da qual Guilherme Boulos (PSOL) faz parte, e conta com a participação das torcidas organizadas, como o movimento Somos Democracia, formado por torcedores do Corinthians.

Havia muitas pessoas com faixas e bandeiras no local durante a tarde. Muitos discursos foram feitos, inclusive em carros de som, e manifestantes gritam ordens contra o presidente e o racismo, além de apoiarem a democracia.

Ainda pela manhã, um pequeno grupo que apoia o presidente Bolsonaro se reuniu na Avenida Paulista, nas proximidades da Fiesp. Com aproximadamente cem pessoas, o ato repetiu as pautas da semana passada, de ofensas a ministros do STF, à imprensa e ao governador João Doria (PSDB) e pedidos de intervenção militar.

Com bandeiras do Brasil e de Israel, o ato durou das 13h e até o fim, às 17h, não tinha reunido 100 pessoas.

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