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Mulher entre apoiadores cita mortes e diz que Bolsonaro "traiu a população"

O presidente Jair Bolsonaro  - Wallace Martins / Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Wallace Martins / Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

10/06/2020 08h52Atualizada em 10/06/2020 12h27

Uma mulher que estava entre os apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) na conversa matinal promovida diariamente no Palácio da Alvorada fez cobranças ao presidente por causa de sua postura diante da pandemia do novo coronavírus. Ela disse que votou em Bolsonaro nas eleições de 2018, mas que se sentia traída.

Após cobrar o presidente em tom de desabafo, ela foi hostilizada por apoiadores no espaço reservado a eles dentro do Alvorada —o novo local de conversa fica distante da imprensa e faz parte da estratégia do presidente para driblar os repórteres. Um cartaz que ela exibia, com números de mortos pela covid-19, foi recolhido. Na sequência, ela acabou sendo retirada por agentes de segurança.

Assim que o presidente deixou o carro, a mulher citou o número de mortes provocadas pelo coronavírus no Brasil, já superior a 38 mil.

"Não são 38 mil de estatísticas, são 38 mil famílias, que estão morrendo, chorando. E o senhor como chefe da Nação, eu votei no senhor, eu fiz campanha para você, acho que você até me conhece, eu sinto que você traiu nossa população", disse.

Primeiramente, Bolsonaro ficou em silêncio e passou a ouvir outros apoiadores. Depois, ainda com a voz da mulher ao fundo, disse: "Sai daqui, você já foi ouvida. Cobre seu governador". A partir de então, passou a ignorá-la.

O incidente foi transmitido por um canal de Youtube de apoiadores.

Ainda foi possível ouvir a mulher ao fundo por uns segundos enquanto Bolsonaro continuava a conversa com os apoiadores.

Após a retirada da manifestante, o presidente voltou a se referir à mulher em outro momento da conversa como "aquela figura falando abobrinha". Bolsonaro ainda disse que ela seria assunto o "dia inteiro" na imprensa.

Dados das secretarias estaduais de saúde informam até ontem um total de 38.497 mortes em decorrência da covid-19 no país desde o início da pandemia, sendo que 1.185 delas confirmadas nas últimas 24 horas, revela o levantamento feito por um consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

São 91 óbitos a mais do que os contabilizados no total oficialmente pelo Ministério da Saúde (38.406), apesar de, nas últimas 24 horas, a pasta ter registrado mais incidências (1.272).

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes recentes de autoridades e do próprio presidente colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.

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