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The Economist questiona se Bolsonaro e militares são ameaça à democracia

Oito dos 22 ministros de Bolsonaro são militares, a maior participação das Forças Armadas em um governo desde a redemocratização - Equipe de transição/Rafael Carvalho
Oito dos 22 ministros de Bolsonaro são militares, a maior participação das Forças Armadas em um governo desde a redemocratização Imagem: Equipe de transição/Rafael Carvalho

Do UOL, em São Paulo

13/06/2020 12h57

A revista britânica "The Economist" publicou nesta semana um artigo que debate o perigo de uma ruptura democrática no Brasil. Na opinião do colunista Michael Reid, especializado em América Latina, Jair Bolsonaro (sem partido) não tem força suficiente para orquestrar um golpe, mas a oposição brasileira tem razão de estar preocupada com a escalada autoritária por parte do presidente e das Forças Armadas.

O artigo chamado "Democracia brasileira ameaçada" destaca a tensão política com ameaças veladas entre os três Poderes. Para o colunista, a crescente participação de militares no governo demonstra fraqueza por parte de Bolsonaro.

Reid cita o ministro do STF Celso de Mello que, em mensagem reservada enviada a interlocutores via WhatsApp, disse que bolsonaristas "odeiam a democracia" e pretendem instaurar uma "desprezível e abjeta ditadura". O ministro também comparou a situação brasileiro atual à Alemanha nazista de Hitler.

Na opinião do colunista, Jair Bolsonaro tem pouca habilidade para governar e nunca demonstrou apreço à democracia nos 28 anos em que atuou como parlamentar.

Reid também critica a gestão do presidente durante a crise de saúde causada pelo coronavírus. Ele afirma que a recusa de Bolsonaro em apoiar medidas de distanciamento social contribuiu para que o país tenha 40 mil mortes na pandemia.

"As Forças Armadas também colocam em grave risco a sua reputação. Atualmente, elas estão à frente do Ministério da Saúde (onde se tentou brevemente interromper a publicação de dados completos da covid-19)", afirma.

O colunista lembra que, em caso de impeachment, o general da reserva Hamilton Mourão assumiria e deixaria as Forças Armadas ainda mais próximas ao poder. Ele afirma ainda que Bolsonaro escolheu um procurador-geral "amigável" (Augusto Aras) e que o presidente tem influência sobre as polícias militares e a Polícia Federal.

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