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Operador ligado a ex-ministro é alvo de nova fase da Lava Jato, diz MP

Do UOL, em São Paulo*

18/06/2020 08h15Atualizada em 18/06/2020 10h15

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã de hoje mais uma fase da Operação Lava Jato, a 71ª. Ela mira área de Trading da Petrobras, que atua na compra e venda de petróleo, óleos combustíveis e derivados. Segundo o Ministério Público do Paraná, a investigação apura o envolvimento de operador financeiro ligado a um ex-ministro de Minas e Energia em esquemas de corrupção. No entanto, o MP não identificou os nomes dos envolvidos.

De acordo com a PF, são 14 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão e 2 ofícios para obtenção de dados telemáticos. Também foram expedidas ordens para bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento - cerca de 17 milhões de reais. Os mandados estão sendo cumpridos todos no Estado do Rio de Janeiro.

Houve apreensão de obras de arte na casa de um dos suspeitos, mídias, pen-drives, computadores, celulares e dinheiro em espécie, em três moedas, somando R$ 84.194,00, 9.655 euros (equivalente a R$ 58 mil) e US$ 11.680 (equivalente a R$ 62 mil).

A suspeita, diz a PF, é de que parte dos valores de propina deste esquema de corrupção tinham como objetivo o "pagamento de intermediários políticos para a manutenção de certos empregados públicos em funções gerenciais estratégicas da Petrobras".

As investigações buscam confirmar se são procedentes os indícios de que a atuação do operador financeiro teria se estendido para outros negócios da área comercial da Petrobras e também para negócios da área petroquímica da estatal.

"Mensagens de e-mail e planilhas demonstram que, ao menos de 2008 a 2014, representando o ex-ministro, o operador financeiro intercedia para que funcionários da Petrobras apadrinhados fossem alçados e mantidos em cargos estratégicos a fim de que pudessem desenvolver esquemas de geração de propina", afirma o MP em nota. As apurações buscam ainda precisar o montante desviado, que pode alcançar a casa dos milhões de dólares.

Além do operador financeiro ligado ao ex-ministro, também são alvos das medidas de busca e apreensão o seu irmão, que "auxiliava no recebimento das vantagens indevidas" e quatro doleiros "responsáveis pela internalização de ao menos US$ 1,9 milhão em recursos ilícitos no Brasil por meio de operações financeiras ocorridas entre outubro de 2011 e agosto de 2016, sendo dois deles utilizados pelo operador e outros dois utilizados por um ex-trader de produtos escuros da Petrobras, à época lotado no escritório de Houston, no Texas, o qual hoje colabora com as investigações".

Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro.

Procurada, a Petrobras não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a operação. O Ministério de Minas e Energia também não respondeu imediatamente.

*Com informações da Reuters

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