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Solto após 10 dias, blogueiro bolsonarista diz não saber do que foi acusado

Oswaldo Eustáquio, ex-assessor do Ministério dos Direitos Humanos, é investigado na Operação Lume da PF - Reprodução/YouTube
Oswaldo Eustáquio, ex-assessor do Ministério dos Direitos Humanos, é investigado na Operação Lume da PF Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo

06/07/2020 21h07

O jornalista Oswaldo Eustáquio comentou sobre a sua soltura após dez dias em entrevista à rádio Jovem Pan. Ele foi preso no último dia 26 de junho e afirmou que ainda não sabe o motivo da sua detenção. O blogueiro foi alvo Operação Lume da Polícia Federal, que apura envolvimento em atos antidemocráticos em inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu ainda não sei do que fui acusado. Os meus advogados não tiveram acesso à totalidade dos autos. Fui ouvido em depoimento, fizeram busca e apreensão no hotel onde eu estava e na minha casa, pegaram o celular da minha esposa e dos meus filhos. Levaram todos os aparelhos eletrônicos, notebooks, documentos, quebraram meu sigilo bancário e, depois de dez dias de prisão temporária, não conseguiram identificar nenhum indício de crime", disse Eustáquio.

Durante o depoimento à Polícia Federal, Eustáquio disse que o delegado também não soube dizer do que se tratavam as acusações. "No inquérito que eu fui ouvido na Polícia Federal, o delegado me falou sobre eventos antidemocráticos. Eu perguntei o que seriam esses eventos e ele não soube responder", explicou.

O blogueiro criticou o fato de estar sendo investigado no STF mesmo não tendo foro privilegiado, e disse que seus direitos humanos foram "violados".

"Estou sendo julgado pelo STF porque estamos em estado de exceção. Não se trata de direita ou esquerda, mas eles rasgaram a Constituição. Quando fazem busca e apreensão do meu celular, não vão encontrar nada porque todos sabem da integridade do meu trabalho, mas estão ouvindo tudo o que eu falei com minhas fontes, estão quebrando algo histórico. Nunca na história da nova democracia houve um vilipêndio do sigilo da fonte", ressaltou.

O jornalista completou dizendo que a sua liberdade de imprensa foi "restringida" e que também se sente censurado após restrições impostas pelo STF.

"Eu saí da cadeia, mas o ministro Alexandre de Moraes (relator do processo) me deu uma cautelar proibindo de utilizar qualquer rede social. As minhas redes sociais são um meio de comunicação. Estou com uma mordaça na minha boca. Os meus advogados tentarão vencer essas restrições. Não teve processo em primeira ou segunda instância, foi direto para a Suprema Corte. Pegaram meu celular, meus computadores, tiraram tudo de mim. A única coisa que eu tenho é a minha voz e a minha voz eles não vão poder calar", finalizou.

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