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PF e MP buscam protagonismo em investigação sobre atos antidemocráticos

Método das ações mina tese da ilegalidade difundida por bolsonaristas -
Método das ações mina tese da ilegalidade difundida por bolsonaristas

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

16/06/2020 17h58

Com a Operação "Lume", a Polícia Federal e o Ministério Público buscam retomar o protagonismo nas investigações que envolvem o núcleo do bolsonarismo no governo. Ao contrário do inquérito das fake news - em que o ministro do Supremo Tribunal Federal faz o papel de investigador, juiz e, por vezes, de promotor -, agora, a PF e o Ministério Público é que definem as linhas de apuração, as técnicas investigativas e fazem os pedidos ao Judiciário.

Segundo investigadores disseram ao UOL, os métodos da polícia nesse caso incluem técnicas e padrões de busca de fatos usados nas operações Lava Jato, Acrônimo e Zelotes. Policiais federais e procuradores dizem que, desta forma, podem quebrar o discurso do bolsonarismo de que a apuração das fake news tem sido ilegal.

O inquérito da "Lume" investiga a organização e financiamento de atos em favor da volta da ditadura e do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Promover ações contra a democracia é considerado crime no Brasil. A suspeita é que um dos vice-líderes do governo na Câmara, Daniel Silveira (PSL-RJ), teria participado do esquema.

Em 19 de abril, o próprio Jair Bolsonaro (sem partido) participou de um dos atos sob apuração, embora ele não seja investigado até o momento.

Dentro do Ministério Público, é criticada abertamente a forma como foi aberto e é conduzido o inquérito das fake news relatado por Moraes. Na PF, a crítica é reservada, mas nem por isso irrelevante. Agentes, delegados e peritos ficavam à margem das investigações e sequer conheciam o teor da apuração.

Para a PF, que mantém uma briga com o Ministério Público, a origem da intromissão do Supremo na atividade investigativa foi a derrota que tiveram em 2013, quando o STF julgou que a Procuradoria poderia fazer apurações criminais. Para um policial do caso, foi isso que fez o país chegar até o polêmico inquérito das fake news.

Mas, agora, a ideia é olhar para frente e, por isso a operação foi batizada de "Lume". Segundo a PF, isso reflete a ideia de jogar luz sobre os fatos sem se comprometer com teses da defesa, dos bolsonaristas, ou da acusação, representada pela Procuradoria Geral da República, de Augusto Aras.

Para o vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara Daniel Silveira (PSL-RJ), porém, a "Lume" da PF seria uma ação típica do inquisidor Tomás de Torquemada (1420-1492). Ele foi o principal alvo das buscas e apreensões realizadas nesta terça-feira em endereços do Rio de Janeiro e de Brasília,

Aliados de militante seguem procurados

Ainda como parte da Operação "Lume", na segunda-feira, a PF prendeu a ativista de extrema-direita Sara "Winter" Geromini, que coordenava um acampamento de militantes armados auto-intitulado "300". Ela está detida na carceragem da polícia em Brasília.

Outros cinco militantes do grupo, considerado uma "milícia" pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ainda são procurados. Os endereços deles ainda não tinham sido identificados ontem pela manhã quando a Procuradoria Geral da República (PGR) revelou que havia mais cinco aliados de Winter investigados.

Sara não foi alvo de busca e apreensão hoje. No entanto, ela já teve sua casa vasculhada pela polícia no inquérito das "fake news", aos quais a PF não tem acesso. Por isso, a ideia dos policiais é pedir ao ministro Alexandre de Moraes que compartilhe essas provas com a investigação dos atos antidemocráticos.

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