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9 meses

Bolsonaro visita Kicis após afastá-la de liderança e diz: 'voltou o amor'

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

25/07/2020 12h13Atualizada em 25/07/2020 18h17

Após retirar a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) da função de vice-líder do governo no Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi hoje (25) à casa da parlamentar para uma visita. A atitude foi interpretada por interlocutores como um gesto político de Bolsonaro ao grupo de parlamentares mais radicais que tem perdido espaço após a aproximação do governo com o Centrão.

Bolsonaro decidiu visitar Bia Kicis após anunciar no Twitter, no início da manhã de hoje, que fez um novo exame para detectar o coronavírus e o resultado foi negativo. O presidente posou segurando uma caixa do remédio hidroxicloroquina nas mãos.

Bia Kicis publicou ainda em seu perfil no Twitter um vídeo do presidente se despedindo da casa dela. "Atenção, haters, voltou o amor, podem ficar despreocupados", escreveu a deputada.

No vídeo, o presidente afirma que "voltou o amor, falou? Tá tudo tranquilo agora".

A deputada afirmou ao UOL que foi surpreendida com a visita, que não estava combinada previamente.

"Fui bem surpreendida [com a visita do presidente]. Fiquei muito feliz. Não combinamos nada. A visita foi um gesto de consideração pela nossa amizade. Ele sabe da minha postura de lealdade. Ele veio mostrar que está tudo bem. Foi só uma decisão política [a retirada da liderança] e não vai afetar os nossos laços", declarou a deputada.

O afastamento da função de vice-líder do governo ocorreu após o voto contrário da deputada na aprovação pela Câmara da proposta de emenda à Constituição, que torna permanente o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

"Ele fez um afago aos aliados", diz assessor de Bolsonaro

Segundo um assessor de Bolsonaro, ao visitar a deputada, o presidente fez um gesto político ao grupo de parlamentares do PSL e de outros partidos que sempre foi aliado de Bolsonaro. Com a aproximação do governo com o Centrão, assessores palacianos temem que ocorra um racha entre apoiadores do governo.

"Ele fez um afago aos aliados. Ele sabe que precisa contar com o apoio dela e de outros parlamentares que sempre estiveram ao seu lado", disse o assessor.

A decisão de destituir Kicis foi publicada em edição extra do Dário Oficial da União. Uma das principais aliadas do presidente no Congresso, Kicis está em seu primeiro mandato como deputada. A mensagem no Diário Oficial da União não informa o que motivou a decisão pela saída da deputada.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, ela afirmou que Bolsonaro poderia ter comunicado sua decisão com mais delicadeza. Na ocasião, Kicis disse que não se sente traída e manterá seu apoio, mas que o governo perderá com a sua destituição da posição. A deputada ainda afirmou que foi convicta em seu voto contrário à aprovação do Fundeb.

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