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7 meses

Prefeito de Granjeiro (CE) é preso acusado de mandar matar seu antecessor

Ticiano Tomé é filho de Vicente Tomé, outro ex-prefeito da cidade envolvido em casos de desvio de verba - Reprodução/TV Globo
Ticiano Tomé é filho de Vicente Tomé, outro ex-prefeito da cidade envolvido em casos de desvio de verba Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

27/07/2020 08h58

Ticiano Tomé (sem partido), eleito vice-prefeito da cidade de Granjeiro (CE), foi preso no último dia 15, acusado de mandar matar o então prefeito da cidade, João do Povo. A intenção de Tomé, filho de um ex-prefeito, era assumir a chefia do executivo da cidade.

A promotoria do caso defende que Tomé, após chegar ao cargo de prefeito, intimidava testemunhas com a intenção de dificultar a apuração dos fatos e o andamento do processo.

Uma reportagem exibida ontem no Fantástico contou detalhes da investigação que usou de tecnologia de melhoramento de imagens e vasculhou notas fiscais para encontrar o elo entre a família Tomé e a morte de João do Povo — que foi assassinado em 24 de dezembro do ano passado.

Gol ou Polo?

Testemunhas disseram, na época do assassinato, que os criminosos fugiram da cena do crime usando um veículo do modelo Gol. A Secretaria de Segurança do Ceará, com uso de tecnologia de melhoramento da imagem descobriu que, na verdade, o carro utilizado no crime era um Polo — veículo similar também fabricado pela Volkswagen — e usava calotas de um Gol.

As equipes de investigação decifraram parcialmente a placa do carro e chegaram a três hipóteses de código, o que fez o time passar a monitorar a circulação de Polos pela cidade. A polícia foi até a propriedade da família Tomé e não encontrou um veículo deste modelo, mas achou uma nota fiscal do drive thru de uma lanchonete, com data e hora da compra.

Ao checar com o restaurante, a investigação descobriu que um Polo havia feita aquela compra e a placa bateria com as hipóteses levantadas anteriormente. A busca foi facilitada pelo SPIA (Sistema Policial Indicativo de Abordagem), desenvolvido por universidades locais em parceria com o governo do Ceará, que reúne 3.300 sensores e câmeras de segurança que conseguem perseguir um carro por até 4h com 87% de acerto.

Os investigadores descobriram que o Polo havia sido alugado para o crime e as pessoas que andavam no carro costumavam estar sempre acompanhadas por um grupo em uma caminhonete. O dono da caminhonete era Ticiano Tomé, ex-vice prefeito que assumiu a chefia do município com a morte de João do Povo.

Briga política

Vicente Tomé, pai de Ticiano, foi prefeito de Granjeiro por duas vezes. Em 2014, após ser condenado por desvios na saúde e na educação, a Justiça o tornou inelegível por seis anos. O delegado que investiga o caso diz que "vários fatos, várias conversas e depoimentos demonstram uma inimizade entre a vítima e o pai do vice-prefeito por conta de briga de poder".

"Embora o filho desse senhor fosse o vice-prefeito, ele queria tomar a frente de tudo, a ponto de querer uma mensalidade. E isso foi vetado pela vítima", diz o delegado.

O ex-presidente da Câmara dos Vereadores e atual prefeito da cidade, Luiz Márcio Pereira (eleito pelo PMN), disse que a família Tomé tentou forçar os legisladores municipais a apresentarem denúncias contra João do Povo. "Simplesmente chegaram pessoas lá dizendo que ele oferecia alguma quantia pra gente formalizar alguma denúncia", afirmou.

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