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Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes rebate acusações: 'Não vão me intimidar'

Eduardo Paes V2 - Folhapress
Eduardo Paes V2 Imagem: Folhapress

Do UOL, em São Paulo

08/09/2020 17h18

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) acusou adversários políticos de utilizar "instrumentos da Justiça" para prejudicar a sua imagem às vésperas das eleições municipais em vídeo publicado nas redes sociais, e completou dizendo que "não vão intimidá-lo".

Denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, Paes é acusado de receber, segundo as investigações, R$ 10,8 milhões de operadores que atuavam a serviço da empreiteira Odebrecht. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido hoje na casa onde Paes mora, na zona sul do Rio.

"Mais uma vez, às vésperas das eleições para a prefeitura do Rio, os meus adversários políticos vêm se utilizar de instrumentos da Justiça para associar a minha imagem a coisa errada", disse ele. "Em 2018, fizeram exatamente a mesma coisa. Me causa muita estranheza que uma história de oito anos atrás seja explorada às vésperas do processo eleitoral em que eu lidero todas as pesquisas. E o pior, por causa de um pedido do procurador do prefeito Marcelo Crivella", acrescentou.

De acordo com o Ministério Público, os valores, destinados a sua campanha eleitoral de 2012, foram entregues em espécie a uma agência de publicidade e não contabilizados, o que configura crime de caixa dois. A denúncia contra Paes foi aceita hoje pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido hoje na casa onde Paes mora, na zona sul carioca.

Além de Paes, também se tornaram réus o deputado federal Pedro Paulo (DEM); Benedicto Barbosa da Silva Junior e Leandro Andrade Azevedo, da Odebrecht; além de Renato Barbosa Rodrigues Pereira e Eduardo Bandeira Villela, sócios da Prole Serviços de Propaganda.

Segundo o MP-RJ, os valores repassados a Paes foram pagos pelo ex-presidente da construtora Odebrecht, Benedicto Barbosa Da Silva Junior, e por Leandro Andrade Azevedo, que também era executivo da empresa. Os donos da agência de publicidade foram os intermediários desses depósitos, de acordo com as investigações.

Já Pedro Paulo é apontado como encarregado de "gerenciar o recebimento da vantagem indevida, especificando a forma como seria destinada e indicando os responsáveis por sua arrecadação", diz o MP.

A denúncia é um desmembramento de acordos de colaboração firmados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) com executivos da Odebrecht. Renato Pereira também possui acordo de colaboração homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O MP afirma que, além dos conteúdos das delações, a denúncia se embasa em um "grande volume de provas obtidas de fontes independentes". A promotoria eleitoral recebeu todo o material dessa investigação em maio desse ano.

O que dizem os citados

Em nota, a assessoria de Paes afirmou que ele está "indignado".

"Às vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral - da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado. A defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia e assim que tiver detalhes do processo irá se pronunciar", diz o comunicado.

Pedro Paulo afirmou, por meio de sua assessoria, que a denúncia tem como objetivo "influenciar no andamento do processo eleitoral". "É o uso político de instrumentos da Justiça para interferir na eleição. Não nos intimidarão. Ao ter acesso o conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no processo", afirma em nota.

As defesas dos demais citados não foram localizadas.

Paes não fica inelegível

Apesar de ser réu, Paes não está inelegível. Para que um candidato se torne inelegível, faz-se necessária condenação por um colegiado de juízes.

Ele é candidato à prefeitura nas eleições deste ano e aparece como principal nome da corrida eleitoral em pesquisas de intenção de votos realizadas até o momento.

A denúncia foi oferecida pelo MP-RJ por meio do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) e aceita na Justiça Eleitoral pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau.

O Gaecc é o mesmo grupo do MP-RJ que investiga o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pelo suposto esquema das rachadinhas na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). O juiz Itabaiana foi quem determinou em junho a prisão preventiva de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

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