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Ao lado de criança, Jair Bolsonaro faz piadas sobre gordo e misoginia

Do UOL, em São Paulo

10/09/2020 20h20

Ao lado de uma youtuber mirim, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez piadas sobre gordos e misoginia, além de incentivar o trabalho infantil, durante a sua live semanal realizada nas redes sociais, na noite de hoje.

Bolsonaro conversava com Esther, de 10 anos, menina que se autointitula "repórter e apresentadora" e que já havia entrevistado o chefe do Executivo em outras duas ocasiões.

'Dia do Gordinho'

"Estou vendo na internet que hoje é o Dia do Gordinho. É verdade? O gordinho pode salvar a tua vida ou não?", questionou Bolsonaro para a menina.

"Pode", respondeu ela.

"Mas como?", insistiu o presidente da República.

"Tipo assim. Surge um urso, aí a gente corre, corre, corre. Quem vai correr mais?", devolveu Esther.

"Você [Esther] que é magrinha", respondeu Bolsonaro. "E vai salvar a tua vida. Se for comer o Terso, vai ser muita gordura. O urso vai passar mal", acrescentou, rindo, referindo-se a uma das pessoas de sua equipe.

Misoginia

Bolsonaro também falou sobre quando fora acusado de ser misógino e admitiu que, na primeira vez que ouviu o termo — que significa horror ou aversão às mulheres —, pediu a um assessor para pesquisar na internet.

"Misógino. Eu confesso. A primeira vez que gritaram 'misógino' para mim eu não sabia. Tinha um assessor do lado: 'Pega aí, rapidinho na internet o que é misógino para saber se estou sendo xingado ou elogiado'."

Na sequência, o presidente questionou membros da sua equipe que acompanhavam a live.

"Você sabe o que é misógino? Hélio Negrão, você sabe o que é misógino? Pisou na bola. Deixa eu pegar outro pau de arara aqui. Mozart, o que é misógino? Você é misógino, Mozart? Se você não gosta de mulher, você gosta de homem, então. Eu fiquei sabendo naquele momento", disse.

"Era uma senadora do Pará que estava em uma audiência pública lá, aquele negócio de kit gay, aquela história toda. E ela não gostou da minha presença lá e falou que eu era misógino. Então, se eu não gosto de mulher, é sinal de que eu gosto de homem. Quem não gosta de mulher gosta de homem, é isso?", acrescentou, direcionando a pergunta para a youtuber de 10 anos.

"Mas é feio isso aí. Tem que ser certinho, gente, para vocês terem um futuro bem legal lá na frente", respondeu a menina Esther.

Incentivo ao trabalho infantil

Já no fim da live, Bolsonaro também incentivou o trabalho infantil ao mencionar a história de um menino que decidiu trabalhar como engraxate, em Goiás, e comprar um relógio para dar de presente ao pai no Dia dos Pais, no mês passado.

"Tem uma história que não apurei se é verdade ou falsa, mas tá na internet. Um garoto com caixa de engraxar, ele foi no relojoeiro para comprar um presente para o pai. O relojoeiro deu pra ele, devolveu o dinheiro, e parece que alguém do Ministério do Trabalho notificou o dono dizendo que estava fazendo apologia ao trabalho", disse ele.

"Deixa o moleque trabalhar. Eu trabalhei, aprendi a dirigir com 12 anos. Molecada quer trabalhar, trabalha. Hoje, se está na Cracolândia [em São Paulo], ninguém faz nada com o moleque", reclamou.

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