PUBLICIDADE
Topo

Política

Bolsonaro é chamado de 'traidor' durante formatura de militares no Rio

Manifestantes levaram faixas contra a lei 13.954, de 2019, que mudou a Previdência dos militares - Alan Santos/PR
Manifestantes levaram faixas contra a lei 13.954, de 2019, que mudou a Previdência dos militares Imagem: Alan Santos/PR

Do UOL, em São Paulo

10/09/2020 12h23Atualizada em 10/09/2020 17h31

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou hoje em uma formatura de sargentos da Marinha, na zona norte do Rio de Janeiro, fazendo acenos aos militares e se dizendo feliz em prestigiar um evento "nessa terra maravilhosa". Do lado de fora, porém, houve um protesto de reservistas, que chamaram o presidente de "traidor".

Cerca de 30 manifestantes — entre pensionistas, integrantes da reserva e reformados das Forças Armadas — fizeram um ato em frente ao Centro de Instrução Almirante Alexandrino. Eles levaram faixas contra a lei 13.954/19, que mudou a Previdência dos militares, e protestaram aos gritos de "Bolsonaro traidor".

O grupo aponta que a reforma da Previdência atingiu apenas a base — que, com isso, teria tido seus rendimentos diminuídos. Em contrapartida, resultou em aumento de vencimentos aos generais. A mudança da lei passou a vigorar no início deste ano.

"As pensionistas, que não pagavam, são tributadas agora em 10,5%, e vai aumentar mais 1% no próximo ano", apontou Zacarias Vieira, um dos manifestantes. "Nós [da reserva] pagávamos 7,5% e passamos a pagar 10,5%. E os generais tiveram um acréscimo de salário de quase 60%."

Os manifestantes dizem ter ido 18 vezes a Brasília para tentar um acordo, mas não conseguiram. "Estão nos fazendo de trouxa", disparou Cibele Lima, que também participa da manifestação.

Sou mãe de militar, esposa de militar, uma vida inteira... Nós não temos nem hospital. As pessoas pensam que a gente tem uma vida econômica boa. Quem tem vida econômica boa são os generais que tiveram quase 100% de aumento, escalonado.
Cibele Lima, manifestante

Ela também acusou Bolsonaro de traição. "Esse homem ficou às custas das tropas por 27 anos. Quando ele queria vir fazer política dentro dos quartéis, eles proibiam. Quem segurava eram os graduados. E agora ele vira as costas. Essa lei sangra. Foi uma punhalada que a gente levou pelas costas."

Segundo o grupo, a insatisfação entre os militares da reserva e pensionistas está crescendo. Uma grande manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, está sendo organizada para os dias 20, 21 e 22 de outubro.

Além de Bolsonaro, também participaram da formatura o governador em exercício, Cláudio Castro (PSC-RJ), e o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).

Mais cedo, Crivella foi alvo de uma operação do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) que apura suposto esquema de corrupção na prefeitura. Ele teve o celular apreendido.

Depois do evento no Rio, Bolsonaro volta a Brasília para participar da cerimônia de posse do ministro Luiz Fux como presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). Tentando se aproximar de Bolsonaro, que é desafeto do governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), Cláudio Castro também viajará.

*Com Estadão Conteúdo

Política