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Bolsonaro nega vacina obrigatória e acusa Doria de 'levar terror' ao povo

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Do UOL, em São Paulo

19/10/2020 18h46Atualizada em 19/10/2020 20h08

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu hoje que a vacinação contra o coronavírus, quando iniciada, não será obrigatória, embora caiba ao Ministério da Saúde a responsabilidade de definir essa questão. Bolsonaro também acusou — sem citá-lo diretamente — o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de "levar o terror" à opinião pública ao defender a vacinação compulsória.

"[A vacina] Não será obrigatória. Quem está propagando isso aí, com toda certeza, é uma pessoa que pode estar pensando em tudo, menos na saúde", disse o presidente. "Essa pessoa [Doria] está levando terror perante a opinião pública. Metade da população diz que não quer tomar essa vacina, esse é um direito das pessoas. O governo federal não obrigará ninguém".

As declarações foram feitas durante evento para anunciar o resultado do Estudo Clínico Covid-19, conduzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O ministro Marcos Pontes, que comanda a pasta, também estava presente.

"Essa vacina" à que Bolsonaro fez menção é a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech. O presidente não disse de onde tirou os dados divulgados, mas é provável que a fala se refira a uma pesquisa feita pela CNN Brasil, que aponta que 46% da população não tomaria a CoronaVac.

"Nós sabemos que muita gente contraiu [a covid-19], nem sabe que contraiu e já está imunizado. Vai obrigar a pessoa a tomar essa vacina? Que, inclusive, custa mais de US$ 10. Do outro lado [o nosso], custa menos de US$ 4", acrescentou, possivelmente se referindo à vacina da Universidade de Oxford (Reino Unido), desenvolvida junto à AstraZeneca e também testada no Brasil.

Bolsonaro, mais uma vez, não citou a fonte dos valores mencionados. Mas o acordo firmado no fim de setembro entre o governo de São Paulo e a Sinovac prevê o fornecimento de 60 milhões de doses da CoronaVac a um custo de US$ 90 milhões — o equivalente a US$ 1,50 por dose, e não US$ 10, como dito pelo presidente.

"Se intitula médico do Brasil"

Mais cedo, Bolsonaro já tinha dito que a vacinação contra a covid-19 não será obrigatória e feito críticas a Doria, também sem mencioná-lo diretamente. Na ocasião, o presidente disse que "tem um governador que está se intitulando o médico do Brasil".

A recente troca de farpas teve início na última sexta-feira (16), quando Doria disse que a vacinação contra a covid-19 será obrigatória em todo o estado se for aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No mesmo dia, Bolsonaro disse que o Ministério da Saúde é quem irá oferecer o imunizante, mas "sem impor ou tornar a vacinação obrigatória".

Hoje, em conversa com seus apoiadores transmitida pelo canal "Foco do Brasil", o presidente voltou a declarar que a lei deixa claro que o assunto compete ao Ministério da Saúde.

Meu ministro já disse claramente que não será obrigatória essa vacina e ponto final. Tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil dizendo que ela será obrigatória. Repito que não será.
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Pazuello com "mal-estar"

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não estava presente durante o anúncio do resultado do Estudo Clínico Covid-19. Em nota ao UOL, a pasta informou que o general "teve um pequeno mal-estar" hoje à tarde, possivelmente causado por "desidratação", mas já está se sentindo bem.

Bolsonaro citou Pazuello durante seu discurso, fazendo piada com a "silhueta" do ministro.

"Nosso prezado Eduardo Pazuello, não tem problema, não está presente, talvez pela sua silhueta... Ele teve uma pequena indisposição e foi para o hospital. Está tudo bem, tudo tranquilo, e espero falar com ele daqui a pouco. Com toda certeza, ele gostaria muito de estar presente aqui", disse o presidente.

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