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Após ser criticado, Ricardo Salles chama Maia de "Nhonho" no Twitter

Do UOL, em São Paulo

28/10/2020 22h58Atualizada em 29/10/2020 19h32

Após ser criticado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chamou de "Nhonho" o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por meio de mensagem direcionada a ele, na noite de hoje, nas redes sociais.

"O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo", escreveu Maia, em post publicado no sábado. Quatro dias depois, veio a resposta irônica de Salles. "Nhonho".

O apelido é uma referência ao personagem da série mexicana "Chaves", interpretado pelo ator Édgar Vivar.

De madrugada, Salles voltou ao Twitter para dizer que sua conta foi utilizada "indevidamente" no episódio com o presidente da Câmara. O post foi replicado por alguns usuários. O UOL não teve acesso à mensagem enquanto ela esteve no ar. Já pela manhã, o perfil do ministro foi excluído da rede social.

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nota informando que Salles enviou mensagem diretamente a Rodrigo Maia explicando que não publicou a ofensa e que "vai apurar a utilização indevida de sua conta". Sobre a exclusão do perfil, a pasta ainda não se manifestou.

"Maria fofoca"

No início da semana, Rodrigo Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) já haviam criticado publicamente Ricardo Salles, depois que ele pediu para que o ministro-chefe da secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, deixasse de lado a postura de "Maria Fofoca", incendiando a disputa entre as alas ideológicas e militares do governo.

O recado foi dado após uma reportagem do jornal O Globo dizer que Salles estava "esticando a corda com ala militar do governo" e "testando a blindagem" com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao mandar suspender as ações de combate a incêndios por falta de recursos. A reportagem não fazia referência ao ministro-chefe da secretaria de Governo.

A publicação de Salles nas redes sociais ganhou apoio de seguidores e de aliados do presidente Bolsonaro, como a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e o filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Por outro lado, parlamentares do centrão saíram em apoio a Ramos, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

Caso encerrado?

Após o mal-estar generalizado, Salles decidiu pedir desculpas ao ministro-chefe Luiz Ramos, pondo fim a mais uma disputa dentro do governo de Jair Bolsonaro.

"Conversei com o Ministro Luiz Ramos, apresentei as minhas desculpas pelo excesso e colocamos um ponto final nisso. Estamos juntos no governo, pelo presidente Bolsonaro e pelo Brasil. Bom domingo a todos", escreveu, na ocasião.

Pouco depois, Ramos indicou, também nas redes sociais, ter aceito as desculpas de Salles. "Não tem briga nenhuma", disse Ramos. "Olha, tem uma definição, briga é quando (tem) duas pessoas", afirmou, em seguida dizendo que não está "brigando com ninguém".

Gestão Salles criticada

O avanço do desmatamento e das queimadas sobre a região da Amazônia colocou a política ambiental do governo Bolsonaro no centro de críticas de investidores estrangeiros, ruralistas e ambientalistas, que pressionam o governo por uma resposta contra a destruição da mata.

O presidente tem minimizado a crise, e em discurso na Assembleia-Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), atribuiu ao "caboclo e o índio" a disseminação do fogo e disse haver uma "campanha brutal de desinformação" contra o Brasil.

Nos primeiros quatro meses deste ano, o desmatamento na Amazônia foi recorde com um aumento de 55% em relação ao mesmo período de 2019.

A gestão de Salles também foi criticada pela exoneração de servidores em postos de fiscalização dos órgãos ambientais e a criação de regras que dificultaram o pagamento de multas por infrações contra o meio ambiente.

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