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Moro lista Huck, Doria, Mandetta e Mourão como nomes de centro para 2022

Do UOL, em São Paulo

09/11/2020 08h22Atualizada em 09/11/2020 18h52

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse, em entrevista ao jornal O Globo, que a conversa que teve com o apresentador Luciano Huck não definiu uma candidatura tendo em vista a eleição presidencial de 2022. Segundo o ex-juiz, nomes como João Doria (governador de São Paulo, pelo PSDB), Luiz Henrique Mandetta (ex-ministro da Saúde, do DEM), João Amoêdo (liderança do Partido Novo) e Hamilton Mourão (atual vice-presidente, do PRTB) também podem ser, em sua avaliação, "bons candidatos de centro".

A denominação centro utilizada por Moro se refere a uma posição mais moderada em relação ao que ele considera os dois extremos da política nacional atual: a esquerda, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal expoente, e a direita liderada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No espectro político tradicional, porém, os nomes citados pelo ex-ministro têm histórico mais próximo à direita.

Existe muita especulação sobre 2022. O que posso dizer é que há uma movimentação de pessoas com perfil de centro que têm conversado. Várias pessoas podem ser bons candidatos de centro, como o próprio Luciano Huck, o (governador) João Doria, o ex-ministro Mandetta, o João Amoêdo ou mesmo o vice Hamilton Mourão. São conversas, mas isso não quer dizer que exista algo preestabelecido
Sergio Moro, ao jornal O Globo

Neste fim de semana, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que Moro se encontrou com Luciano Huck no dia 30 de outubro, iniciando negociações para uma aliança na eleição presidencial de 2022. De acordo com o ex-ministro, a conversa não foi determinante para a construção de uma possível candidatura.

"Foi só uma conversa. Eu já conhecia o Luciano faz um tempo. Nós nos encontramos e conversamos apenas sobre o Brasil, o cenário, mas não existe nada pré-determinado", disse.

Tanto Sergio Moro como Luciano Huck são apontados como potenciais candidatos à eleição presidencial de 2022. Especificamente sobre a possibilidade de encabeçar uma chapa, o ex-ministro disse que é cedo para especular.

"Todo mundo está conversando, mas isso não significa que vou ser candidato. Minha preocupação é com o momento atual. Essas questões eleitorais sobre o que irei fazer no futuro são meramente especulativas", disse.

Durante sua passagem de 16 meses pelo governo Bolsonaro, Moro, que fez fama como juiz dos principais processos da Operação Lava Jato no Paraná, sempre negou o interesse em disputar a presidência.

Sem arrependimentos

Sergio Moro deixou a magistratura no final de 2018 para integrar o governo como ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele deixou o cargo em abril deste ano alegando tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

O ex-ministro diz que não se arrepende de sua escolha de aceitar o convite de Bolsonaro, embora alegue não ter conseguido implementar um agenda anticorrupção como pretendia.

"Eu aceitei ir para o governo diante de circunstâncias muito específicas. Tinha a ambição, não no sentido pessoal, de que poderia implementar políticas públicas consistentes com o que acredito. Em certa parte, isso foi bem-sucedido, especialmente no combate ao crime organizado. Agora, em relação à agenda anticorrupção, não pude avançar, em parte, pela falta de um apoio maior do Planalto. Senti que era o momento de sair", disse.

Agora, olhando para 2018, vejo que a minha decisão de entrar no governo foi racional e apoiada, até por pesquisas da época, por grande parte da população. Não me arrependo por ter tentado fazer o que acredito
Sergio Moro

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