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3 meses

Deputados querem afastar Eduardo Bolsonaro de comissão por críticas à China

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

25/11/2020 15h29Atualizada em 26/11/2020 11h02

Deputados de grupos parlamentares ligados à relação Brasil-China vão pedir o afastamento de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. O documento deve ser protocolado semana que vem, quando haverá sessão no plenário da Casa.

A articulação dos deputados acontece após o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer no Twitter, na noite segunda-feira (23), que o governo brasileiro declarou apoio a uma "aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China". Ontem ele apagou a publicação.

"O governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China", escreveu Eduardo Bolsonaro.

A Embaixada da China reagiu à afirmação e falou em consequências negativas pela manifestação do parlamentar.

A movimentação para pedir o afastamento de Eduardo é encabeçada pela presidente do grupo parlamentar de apoio as relações entre os países do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Perpétua Almeida (PCdoB-AC). O pedido tem apoio dos presidentes da frente parlamentar Brasil-China, Fausto Pinato (PP-SP), e da frente de Amizade Brasil-China, Daniel Almeida (PCdoB-BA). O grupo procura apoio da bancada ruralista. A China é um dos principais parceiros econômicos do Brasil.

"A disputa dos Estados Unidos com a China é uma briga de potências, de gigantes para ver quem vai dominar a próxima revolução tecnológica. Como o Brasil vai se posicionar numa briga de potências? Brigando com todo mundo? Nossa preocupação tem que ser com os interesses do Brasil", disse Perpétua.

Em razão da pandemia do novo coronavírus, as comissões não funcionam na Câmara. Com isso, Eduardo segue como presidente até que uma nova comissão seja instalada e um novo presidente eleito.

"É que não existe nenhuma comissão instalada, devido à pandemia. Mas o presidente anterior continua respondendo administrativamente pela comissão. Então vamos levar a questão ao plenário para que seja votado o afastamento dele", disse a deputada.

Por ser uma situação atípica, não há clareza do trâmite deste requerimento, mas para ser analisado em plenário precisará ser pautado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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