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Há 17 dias, Doria disse que não endureceria restrições depois das eleições

Colaboração para o UOL

30/11/2020 15h11Atualizada em 30/11/2020 18h58

Há 17 dias, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que não ia aumentar as restrições da quarentena, para combater a covid-19, logo depois das eleições. Ele publicou um vídeo nas redes sociais para dizer que isso era "fake news". Mas hoje, um dia depois da reeleição do prefeito da capital e aliado, Bruno Covas (PSDB), Doria anunciou o endurecimento de algumas medidas. A administração estadual, de fato, não fechou o comércio, mas aplicou normas mais restritivas em todo o estado.

No vídeo, divulgado em 13 de novembro, Doria afirmou que adversários estavam inventando uma mentira para fazer um "golpezinho" político. Vale ressaltar que, até então, não havia qualquer decisão oficial sobre o aumento das restrições, mesmo com o aumento do número de internações em hospitais localizados no estado.

"Vim aqui para desmentir mais uma fake news, mais uma mentira. Depois das eleições, nós não vamos fechar comércio ou endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle, por isso seguimos pauta da ciência e da medicina. É a saúde que determina o que temos que fazer aqui. Não é a política. Não agimos por pressão política ou por outros interesses. O meu repúdio aos que espalham esse tipo de mentira para prejudicar nossa gestão ou fazer um golpezinho às vésperas da eleição. Nossa gestão em São Paulo sempre agiu de forma transparente e vamos continuar fazendo assim, priorizando a vida dos brasileiros", afirma Doria no vídeo.

Hoje todas regiões do estado de São Paulo foram colocadas na fase amarela do Plano São Paulo. Com isso, no comércio e serviços, a ocupação máxima permitida dos estabelecimentos passou de 60% para 40%. E o horário de funcionamento será limitado a dez horas diárias. Além disso, eventos com público em pé estão proibidos novamente.

Durante a entrevista coletiva em que foram anunciadas as mudanças, Doria foi perguntado por que essa alteração aconteceu agora. Ele negou que tenha segurado o anúncio por causa da eleição.

"O governo não tem interesse em transformar medidas de ordem de saúde em medidas políticas. Decisões são amparadas pelo que a ciência determina. Tudo foi determinado pela saúde", declarou o governador.

Em nota, a gestão tucana lembra que, "na última quinta-feira (26), três dias antes do segundo turno das eleições municipais, o governador disse que havia a possibilidade de medidas restritivas na quarentena por causa do aumento de internações e de casos de coronavírus". As declarações foram dadas à Bloomberg.

"O monitoramento do comportamento da pandemia é constante, com os dados disponíveis no momento. A mudança dos indicadores de casos e internações de 17 dias atrás para os números da semana passada indicavam a possibilidade de restrição no Plano São Paulo", conclui o texto.

O anúncio de Doria repercutiu entre os políticos de oposição. Acompanhe:

Guilherme Boulos (PSOL)

Sâmia Bomfim (PSOL), deputada federal

Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo

Ivan Valente (PSOL), deputado federal

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