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Coronavírus

SP: Governo se defende sobre medidas após eleições e alega 'transparência'

Allan Brito, Douglas Porto, Lucas Borges Teixeira e Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 14h55

O governo de São Paulo se esforçou hoje durante entrevista coletiva sobre a pandemia do novo coronavírus para justificar a tomada de medidas mais restritivas de funcionamento do comércio logo após as eleições municipais. No dia seguinte ao segundo turno, que na capital do estado elegeu o atual prefeito Bruno Covas (PSBD) com o apoio do governador João Doria (PSBD), a administração paulista fez uma reclassificação do Plano São Paulo.

O plano coordena as medidas de reabertura da economia após a pior fase da pandemia, que se deu em abril e maio. As reclassificações, que já chegaram a ser quinzenais, tiveram o período de tempo estendido nos últimos meses. A última havia sido anunciada em 9 de outubro. Desde então, foram 52 dias sem uma atualização.

"Sobre a data, meu pedido é que olhem dados e datas independente de eleições", afirmou hoje Patrícia Ellen, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, durante entrevista no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

"Eleições deixam a emoção à flor da pele e distorcem a realidade. Decisões têm que ser tomadas na data correta. Por que não tomar hoje? Sempre estamos tomando decisões corretas nos dias corretos. Tudo foi feito com transparência e celeridade", completou Patrícia.

Em 16 de novembro, o governo estadual tinha uma reclassificação do Plano São Paulo agendada, mas acabou adiando em mais duas semanas com a justificativa de que não tinha dados precisos sobre novos casos e mortes causadas pela covid-19. O motivo alegado foi o problema enfrentado pelo sistema do Ministério da Saúde que concentra essas estatísticas, onde as prefeituras têm a responsabilidade de inserir seus dados.

Na semana passada, representantes do Centro de Contingência ao Coronavírus chegaram a recomendar ao governador a adoção imediata de mais restrições, mas ele preferiu esperar. O argumento foi que era necessário aguardar o fechamento da semana epidemiológica, no sábado (28).

Ontem, na capital, o anúncio da vitória de Bruno Covas, na sede do PSDB estadual, no Jardins, teve aglomeração de políticos e militantes. "Fui a uma coletiva de imprensa, não fui a uma comemoração", respondeu Doria hoje, quando foi questionado por uma jornalista.

62 municípios preocupam

A secretária Patrícia Ellen afirmou que atualmente 62 municípios do estado preocupam por conta do aumento no número de casos e nas internações causadas pela covid-19 —a capital não está nesta lista. Patrícia disse que o governo realizará uma reunião com as prefeituras amanhã e classificou como "medida adicional de cautela" a decisão de passar seis regiões que estavam na fase verde para a amarela.

"62 municípios teriam situação mais grave se fosse classificação municipal. Amanhã teremos reuniões com prefeitos desses municípios e na sequência falar com todo o estado, para ficar no amarelo o menor tempo possível. Mas para isso todo mundo precisa colaborar", disse a secretária.

"Fake news"

Dois dias antes do primeiro turno das eleições municipais, Doria chegou a gravar um vídeo para desmentir possíveis "fake news" sobre o fechamento do comércio após o pleito. Em publicação no Twitter, o governador também negou que iria "endurecer as medidas de combate à pandemia após as eleições", o que na prática acabou se confirmando agora.

Com a reclassificação de todo o estado na fase amarela do Plano São Paulo, comércio e serviços voltam a poder funcionar apenas com 40% da capacidade dos estabelecimentos, e não 60% como era na fase anterior. Além disso, o horário fica restrito a dez horas diárias, o que também não estava em vigor em regiões que estavam na fase verde. Já o horário limite de funcionamento continua sendo 22h para atendimento a clientes no local.

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