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Guedes: Maia e governadores tinham plano de impeachment contra Bolsonaro

Ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília -
Ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília

Do UOL, em São Paulo

18/12/2020 15h42Atualizada em 18/12/2020 21h43

Em entrevista à revista "Veja", o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que havia um plano de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) organizado por governadores, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e outros, e que a demissão de Abraham Weintraub, ex-ministro do MEC, foi um sinal para "pacificar" as relações.

"Houve, sim, um movimento para desestabilizar o governo. Não é mais ou menos, não. Tinha cronograma. Em sessenta dias iriam fazer o impeachment. Tinha gente da Justiça, tinha o Rodrigo Maia, tinha governadores envolvidos. O Doria ligou para mim e disse assim: 'Paulo, é a chance de salvar a sua biografia. Esse governo não vai durar mais de sessenta dias. Faz um favor? Se salva'", disse o ministro.

Guedes conta que na sequência dessa conversa ligou para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para entender o que estava acontecendo.

"Conseguimos desmontar o conflito ouvindo cada um deles. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, sugeriu que o governo deveria dar um sinal, caso estivesse realmente interessado em pacificar as relações. A demissão do Weintraub foi uma sinalização", afirmou o ministro, citando conversas também com Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.

A sugestão para que Weintraub fosse indicado a um cargo no Banco Mundial partiu de Guedes, segundo ele conta. Houve um momento de muita tensão, segundo ele, quando o STF sinalizou que podia apreender os telefones de Bolsonaro. O ex-ministro da Educação teria se exaltado com a situação dizendo que "partiria para cima do Supremo".

"Nessa hora, eu interferi. Disse que estávamos caindo numa armadilha, que o script já estava montado, que aquilo era inapropriado. Os generais presentes me apoiaram. Sugeri ao presidente mandar o Weintraub para o Banco Mundial, em junho. A partir daí, as coisas se acalmaram entre o governo e o STF", contou Guedes.

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