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Preterida 2 vezes pelo MDB, Tebet quer ser 1ª mulher presidente do Senado

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) em entrevista exclusiva ao UOL e à Folha de S.Paulo, no estúdio de Brasília - Kleyton Amorim/UOL
A senadora Simone Tebet (MDB-MS) em entrevista exclusiva ao UOL e à Folha de S.Paulo, no estúdio de Brasília Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Natália Lázaro

Colaboração para o UOL, em Brasília

30/01/2021 04h00

Duas vezes candidata à Presidência do Senado Federal e duas vezes preterida pelo próprio partido, o MDB, Simone Tebet (MS) quer, na eleição marcada para esta segunda-feira (1º), ser a primeira mulher a chegar ao cargo.

No entanto, nem mesmo entre as mulheres do Senado ela conseguiu os apoios esperados. Uma articulação eficiente de seu principal rival, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fez sua campanha derreter nas últimas semanas. Ela contava com a totalidade dos votos do MDB, Podemos e PSDB, além do apoio em peso do grupo "Muda Senado", de cunho pró-lavajatista, o que não aconteceu.

Até parte da oposição resolveu caminhar ao lado de Pacheco, apadrinhado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Sem ver futuro em Simone, o MDB resolveu largá-la pelo caminho e se aliar a Pacheco em busca de um acordo por cargos mais importantes na Mesa Diretora e em comissões a que não teriam direito se os senadores do partido continuassem fiéis à colega.

A senadora então passou a se posicionar como candidata "independente", em suas palavras. Há uma possibilidade que ela reveja sua permanência no MDB.

Aliados otimistas estimam que ela terá, no máximo, 22 votos dos 80 senadores previstos na votação - Chico Rodrigues, o do dinheiro na cueca, está licenciado e não poderá votar, segundo sua assessoria. Os mais pessimistas falam em até 15 votos.

Ao dar a largada pela disputa contra Pacheco, Simone apostou no discurso de ser uma senadora verdadeiramente desvinculada ao Planalto, embora não oposicionista ao governo.

Filha de pai político e ex-presidente do Senado, esta foi a segunda vez que Simone tentou se eleger para o cargo. Em 2019, ela disputou a candidatura contra Renan Calheiros (MDB-AL) dentro do partido, que escolheu o cacique. Lançou-se como candidata avulsa, mas acabou abrindo mão em favor de Alcolumbre, hoje um de seus algozes.

Desta vez, antes de ser lançada e abandonada pelo MDB, Simone ganhou internamente a indicação, contra os líderes do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), além do próprio íder da bancada na Casa, Eduardo Braga (MDB-AM).

Formada em Direito e tida como muito estudiosa, ela foi a última presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a mais importante do Senado.

Outra aposta de Simone Tebet em sua campanha foi ganhar a simpatia da opinião pública por meio de conversas com movimentos sociais, por exemplo. Uma das primeiras reuniões com grupos civis foi com as "Mulheres Independentes" na intenção de garimpar votos com o discurso de poder ser a primeira mulher a ocupar a Presidência do Senado, apelo que fez durante toda a campanha.

Além das pautas femininas, a agenda de articulação contou com encontros com economistas e outras categorias. Mas esmoreceu no corpo a corpo com os senadores, que são, de fato os eleitores.

Em 2016, Simone foi favorável ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Nas últimas semanas, afirmou que o atual cenário sanitário-econômico não é propício para outro eventual processo semelhante no Congresso. No caso, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em carta de compromissos, disse que, se eleita, pretende retomar "de imediato" a pauta da reforma tributária, entre outras pautas econômicas a fim de atrair novos investimentos ao Brasil. Ela também prometeu aumentar o poder de voto e de fala das mulheres no plenário e pôr em debate temas de responsabilidade social.

Sul-mato-grossense e filha de ex-presidente do Senado

Com 51 anos, a senadora é casada com o deputado estadual do Mato Grosso do Sul Eduardo Rocha (MDB-MS) e filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, falecido em 2006.

Sul-Mato-Grossense de Três Lagoas, ela é advogada e Mestre em Direito do Estado, pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Antes de seguir os passos da família e entrar para a política, ela deu aulas de Direito em seu estado por 12 anos, passando pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pela Universidade Católica Dom Bosco.

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