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Baixo Clero

A jornalista Carla Bigatto conduz com analistas um papo sobre temas que dominam a pauta política.


Baixo Clero #72: Conversas da Lava Jato mostram armações nada republicanas

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/02/2021 21h26

Diálogos entre procuradores e juízes, além de investigadores do Brasil e da Suíça, evidenciam armações nada republicanas ao longo da operação Lava Jato. O resumo encaminha o episódio #72 do Baixo Clero, podcast de política do UOL. Confira no arquivo acima.

A edição contou com a participação de Jamil Chade, que mora no país europeu, além dos integrantes fixos do podcast: Maria Carolina Trevisan e Diogo Schelp, todos colunistas do UOL.

Em sua fala, Jamil revelou detalhes de como funcionaram as cooperações internacionais dos procuradores brasileiros com os suíços por meios fora dos oficiais e sem registros nos órgãos do Brasil ou Suíça, apenas em aplicativos de conversa.

Conforme sua apuração, os investigadores usavam um grupo de WhatsApp para trocar informações. Isso ocorria até antes de reuniões com suspeitos, conforme afirma o colunista. Havia foto de listas com nomes, documentos e transferências bancárias.

"Os procuradores pedem nome e contas de offshore da Odebrecht [aos suíços] e eles repassam a lista pelo chat. Os brasileiros dizem que isso vai ajudar muito na reunião que vão ter no dia seguinte, que apontam ser com suspeitos", diz o jornalista, citando os acordos de delação. (veja em 7min21s no vídeo acima).

No país, foram identificadas mais de mil contas em 40 bancos diferentes como sendo destino de propinas identificadas ao longo da operação do Ministério Público Brasileiro. Os valores superam US$ 1 bilhão.

"A Lava Jato internacional foi tão importante quanto a no Brasil", define Jamil. (veja em 11mins23 no vídeo acima) No entanto, conversas mostram ações à beira da promiscuidade. Como a de um procurador que exercia cargo na Suíça se oferecendo para defender uma empresa investigada.

"[O procurador estava] Se vendendo na conversa, dizendo que gostaria de que os brasileiros intermediassem para que a Petrobras o contratasse como advogado", exemplifica o jornalista (veja em 8min34s no vídeo acima).

As conversas coincidem no Brasil com a Vaza Jato, série de reportagens divulgadas pelo site The Intercept com base em mensagens trocadas entre o então juiz de Curitiba Sergio Moro e procuradores do MPF local.

Vazados por um hacker, que está preso, os diálogos demonstram acertos feitos antes de denúncias serem encaminhadas pelos procuradores ao juiz.

Para Diogo Schelp, as conversas são "no mínimo, pouco republicanas". "Elas mostram o que não é esperado do comportamento de juízes e procuradores", afirma o colunista, criticando o atual uso político feito por investigados. (veja em 40min24s no vídeo acima)

Schelp sustenta não ver capacidade de a Vaza Jato interferir em todo o trabalho desenvolvido pela Lava Jato desde o seu início, em 2014. "O fato de terem acontecido não significa que tudo o que a Lava Jato apurou é errado", defende (veja em 41min30s no vídeo acima).

Maria Carolina Trevisan, contudo, vai em outra linha. A jornalista vê a possibilidade de os diálogos serem parte de análise dos processos em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado.

Trevisan explica que não será preciso que, necessariamente, a defesa do petista faça a inclusão no processo. "Talvez não queira esse atraso maior ainda para que os processos sejam anulados e que se tenha um processo justo", pontua (veja em 32min05s no vídeo acima).

Os dois colunistas concordam ao entender que não é possível mais para Sergio Moro e Deltan Dallagnol negarem que as trocas de mensagens existiram. "A própria PF (Polícia Federal) atestou que são reais", afirma Trevisan (veja em 31min45s no vídeo acima).

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, em todas as plataformas de distribuição de áudio, como Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e também Youtube —neste último, também em vídeo.