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A jornalista Carla Bigatto conduz com analistas um papo sobre temas que dominam a pauta política.


Baixo Clero #83 | Marina Silva: Bolsonaro fala inverdades para ele mesmo na Cúpula do Clima

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Gabriel Toueg

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/04/2021 20h09

Para a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "falou inverdades para ele mesmo" na Cúpula de Líderes sobre o Clima, sediada virtualmente hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

"Geralmente as pessoas falam inverdades para os outros, mas o presidente Bolsonaro foi (para a Cúpula) falar inverdades para ele mesmo, porque só ele acredita no que diz", afirmou Marina (assista a partir do minuto 7:32 no vídeo acima). "Ninguém acredita que ele está fortalecendo o Ibama, que irá aumentar os recursos da gestão ambiental e muito menos que tem pretensão de reduzir o desmatamento", disse ela.

Convidada de hoje do Baixo Clero, podcast de política do UOL, Marina avaliou o discurso de Bolsonaro num momento em que o Brasil se apresenta profundamente desgastado pelas altas do desmatamento na Amazônia. Para ela, foi uma fala "na defensiva, faltando com a verdade e sem credibilidade, [de] um presidente olhando para o retrovisor em lugar de olhar para a frente" (assista a partir do minuto 2:45).

"Na ausência de qualquer ação concreta e efetiva que Bolsonaro pudesse apresentar para tentar convencer os países desenvolvidos a aportar recursos para a estratégia mercenária que eles levaram para a cúpula, ele recorreu a resultados de trabalhos que foram realizados por outros governos, outras gestões à frente do Ministério do Meio Ambiente", disse Marina (assista a partir do minuto 2:45).

"Uma boa parte dos resultados que ele apresentou, em relação à energia, ao desmatamento, à redução da emissão de CO2, foi em parte feita durante a minha gestão", apontou a ex-ministra (assista a partir do minuto 3:36).

"O Brasil não é o problema", disse Marina ao falar sobre a posição de pária internacional do país, que vem gerando desconfiança na área ambiental (assista a partir do minuto 7:12). "Quem transformou o Brasil no problema foram os retrocessos, que começaram em 2012, depois foram aprofundados com o governo do (ex-)presidente Michel Temer e agora foram a uma situação de completo descontrole, desmantelamento, desgovernança pelo Bolsonaro".

Marina reconheceu que o Brasil passa por um "vexame" e sugeriu que o presidente deseja "criar uma espécie de milícia para a Amazônia" (assista a partir do minuto 8:10). "Se ele quisesse conversar sério, (deveria) fortalecer o Ibama, o ICMBio, o processo de monitoramento (da Amazônia), os orçamentos, e não para colocar recursos para criar uma força militar, isso é o sonho dele, ter o controle militar da Amazônia para implementar projetos de mineração, grandes rodovias e grandes hidrelétricas, ou seja, vetores de desmatamento".

Frigideira

A cada semana, os colunistas do UOL Maria Carolina Trevisan e Diogo Schelp escolhem o personagem da política nacional que merece ir para a frigideira. No programa de hoje, os eleitos foram a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e, numa repetição da semana passada, o presidente Jair Bolsonaro.

A escolha pela ministra Damares foi de Trevisan, por suas "políticas ultraconservadoras e populistas". Ela contou que fez, durante a semana, uma série de reportagens em parceria com Jamil Chade, também colunista do UOL.

"A gente teve acesso a uma reunião em que participou a secretária da Família, Ângela Gandra, em que ela revelava as estratégias do Brasil para implementar uma agenda que tem o guarda-chuva da família mas que é de retrocessos em direitos" (assista a partir de 57:33 no vídeo acima).

Trevisan lembrou que o encontro, em que também participaram representantes de partidos europeus de extrema-direita, buscava combater a chamada "ideologia de gênero". A jornalista explicou que se trata de "um conceito pejorativo que guarda os direitos sexuais e reprodutivos ligados às agendas da comunidade LGBTQI+".

Além da reunião, a colunista do UOL justificou a escolha pela ministra também em função de um aplicativo que Damares prometeu lançar, em articulação com a segurança pública, para o combate de agressões contra crianças. "É claro que a polícia deve estar preparada, mas não é a punição que vai fazer diminuir a violência contra as crianças e contra as mulheres", explicou (assista a partir do minuto 58:36).

Schelp decidiu fritar Bolsonaro, que na semana passada tinha aparecido na frigideira de Trevisan. "Achei difícil não colocar Bolsonaro na frigideira esta semana pelo tema que se impôs hoje na Cúpula do Clima", disse (assista a partir de 1:00:20).

O jornalista mencionou um trecho do discurso do presidente da reunião mais cedo, em que diz ter determinado o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando recursos. "A gente sabe que a realidade é de enfraquecimento da fiscalização, existem várias medidas adotadas pelo governo que enfraqueceram o ICMBio, o Ibama e até a Polícia Federal", justificou.

"E mentira tem perna curta", lembrou Schelp, contando que após a promessa de Bolsonaro, o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) foi questionado a respeito. "Nem mesmo ele soube dizer quanto a fiscalização teria à disposição no Orçamento para fazer um combate efetivo ao desmatamento", lamentou.

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